Conselho Regional de Odontologia recomenda que pacientes continuem tratamentos importantes

Presidente do CRO-GO, Renerson Gomes dos Santos, se baseia em estudo da USP para defender que saúde bucal é essencial para que pacientes não tenham complicações no tratamento contra Covid-18

Tratamentos como cáries e manutenção de aparelhos ortodônticos devem ser continuados, apesar de pandemia, aconselha CRO-GO | Foto: Clínica Newton

Durante o período de pandemia, diversos pacientes que realizavam anteriormente seus tratamentos odontológicos ficaram em dúvidas se deveriam dar prosseguimento ou não. Diante de diversos questionamentos, o Jornal Opção falou com o odontólogo Renerson Gomes dos Santos, presidente do Conselho Regional de Odontologia de Goiás para esclarecer sobre como agir com a saúde bucal ante à crise de Covid-19.

Renerson pediu calma aos pacientes da odontologia e informou que todos aqueles que estavam em tratamento devem continuar normalmente com os procedimentos. “O profissional dentista está habituado a utilizar os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)”, falou. “É comum o cirurgião dentista utilizar gorro, máscara, óculos de proteção, avental.”

O dentista lida diretamente com o trato respiratório, principal via de contaminação pelo novo coronavírus. Pensando nisso, a Vigilância Sanitária fez algumas recomendações que, segundo Renerson, os profissionais já estavam adaptados, que é a utilização da máscara facial. Agora, a implementação é pela máscara n95. “Nós já estamos aplicando com o intuito de aprimorar o atendimento odontológico. Dentre outros cuidados, o Conselho Regional de Odontologia de Goiás fez um protocolo de atendimento pedindo aos pacientes que não levassem acompanhantes ao consultório, evitando aglomerações na recepção. Também que fosse feito um espaçamento entre um agendamento e outro. Estamos trabalhando assim desde o decreto de 19 de abril”, informou.

“Para os pacientes, recomendamos que deixassem para um segundo momento o tratamento que não fosse urgente e procedimentos estéticos. Mas que quem estivesse em atendimento odontológico continuasse. Os profissionais estão preparados para atende-los”, ressaltou.

“A cárie não pode esperar. Pode criar um outro processo inflamatório, virar um canal, esse canal virar um abcesso e assim por diante. Uma outra pergunta é sobre o aparelho ortodôntico. Ele não tem uma finalidade somente estética. Quando o paciente fica sem manutenção nesses aparelhos, ele acaba criando outros problemas. Mais para frente ele pode ter complicações”, alertou.

Aos paciente que necessitam dar continuidade aos atendimentos, Renerson recomendou: “Tomem as precauções de evitar levar acompanhantes, a menos que seja um idoso ou uma criança, vão de máscara ao consultório, confirmem o agendamento. Ao chegar ao consultório, que utilizem aquele tapete higiênico e usem álcool em gel”, disse.

Precauções

Por lidarem diretamente com o trato respiratório, dois procedimentos se tornaram essenciais no atendimento aos pacientes, explica Renerson.
“A utilização da máscara facial minimiza em 100% [o risco]. O fator da também estamos utilizando o peróxido de hidrogênio, que é o bochecho, diminui a carga bacteriana na boca, o que acaba ajudando o cliente a não desenvolver e até mesmo transmitir a Covid-19 por aerosol”, informou.

Ele destaca que uma nota da Faculdade de Odontologia da USP alertou que os atendimentos odontológicos são especiais nessa época de pandemia pela Covid-19, porque evitar que o paciente tenha uma doença periodontal, uma doença bucal, pode diminuir a imunidade. Com isso, ele pode desenvolver uma dificuldade maior no tratamento à Covid-19.

“Se eu tenho um dente infeccionado, ele pode desenvolver uma sinusite, que está relacionado ao trato respiratório e ter maiores complicações se esse paciente vier a adquirir a Covid-19”, explicou.

Consultas mais caras?

Algumas pessoas têm relatado que as consultas estão mais caras após a pandemia de Covid-19. Renerson disse que não é ocorre. “O que acontece agora é que a consulta odontológica é prevista pelo código de ética odontológica. Muitos colegas não estavam aderindo ao pagamento da consulta odontológica”, falou. “Não existe orçamento. Orçamento quem faz é pessoas que vendem materiais de construções”, defendeu.

“Simplesmente por sentar o paciente na cadeira e olhar o que ele precisa, o dentista tem que colocar toda a paramentação, tanto pela segurança do paciente quanto do profissional”, argumentou. “O Conselho de Odontologia até enviou uma solicitação junto ao Procon para averiguar, por exemplo, o valor das máscaras. Uma caixinha custava em torno de R$19. Hoje o custo é em torno de R$259.”

“O que os profissionais estão fazendo é proibindo a divulgação dos preços pelo Código de Ética, porque não somos categorizados como mercado nem como comércio, somos prestadores de serviço em saúde. Os preços não são específicos para qualquer atendimento, depende do que o paciente precisa. O que na verdade os profissionais estão fazendo é aderindo ao pagamento da consulta odontológica”, disse.

Contaminações entre profissionais

De acordo com o presidente, não há registros de profissionais odontólogos em Goiás com caso de Covid-19. “Estamos monitorando juntamente com a Vigilância Sanitária. Não tem nenhum caso de contaminação no registro do Conselho ainda. Não temos nenhum levantamento nem nos municípios e nem na capital. Estamos monitorando isso todos os dias”, falou.

“No serviço público, como é mais difícil os manejos devido a precariedade desse sistema, nós estamos aconselhando aos municípios, secretários e gestores da Saúde, que esses dentistas atendam apenas casos de urgência e emergência, porque a gente sabe que eles não têm muito recursos de EPI, então as secretarias estão monitorando. Nós pedimos à Secretaria do Estado que nos informe caso isso ocorra. O único impacto que temos registro na área de odontologia é no estado de São Paulo”, informou.

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