Conselho Regional de Farmácia alerta sobre uso indiscriminado de antibióticos

Uso excessivo pode alterar a resistência das bactérias causadoras de doenças e tornar o medicamento ineficaz no seu combate

Foto: Divulgação

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem registrado altos índices de resistência a antibióticos, caracterizando uma das maiores ameaças à saúde pública. Atenta ao problema, a OMS instituiu a Semana Mundial de Conscientização sobre Antibióticos, que aconteceu de 12 a 18 de novembro. O objetivo da campanha é aumentar a conscientização global da resistência aos antibióticos. Além de incentivar melhores práticas no trato com esses medicamentos, a fim de evitar o surgimento e disseminação de sua resistência.

Segundo o diretor secretário do CRF-GO, Daniel Jesus, a resistência a antibióticos é uma preocupação social que merece atenção, pois o uso inadequado pode resultar em inúmeros problemas de saúde. “Nós, farmacêuticos, exercemos papel fundamental nesta campanha, pois por meio da orientação profissional podemos alertar sobre a importância dos antibióticos e, principalmente, os riscos à saúde quando administrados incorretamente”, afirma Daniel.

O farmacêutico acrescenta que o uso indiscriminado de antibióticos pode alterar a resistência das bactérias causadoras de doenças e tornar o medicamento ineficaz no seu combate. “Além de dificultar o tratamento, isso também pode afetar outras bactérias que ajudam o nosso organismo a funcionar corretamente”, revela. Quanto ao uso em excesso deste tipo de medicamento, Daniel diz que pode acarretar na mutação de bactérias e, consequentemente, na ação dos medicamentos sobre elas. “Isso pode causar o surgimento de “superbactérias”, que são resistentes a vários antibióticos e têm poucas opções de medicamentos para o tratamento”, destaca.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou em janeiro deste ano os primeiros dados de vigilância sobre resistência aos antibióticos. A pesquisa revela altos níveis de resistência a uma série de infecções bacterianas graves em países de alta e baixa renda. Até o momento, 52 países – 25 de alta renda, 20 de média renda e sete de baixa renda – estão inscritos no sistema global da OMS. Para a elaboração do primeiro relatório, 40 países forneceram informações sobre seus sistemas nacionais de vigilância e 22 países também proveram dados sobre os níveis de resistência aos antibióticos.

Antibióticos

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os antibióticos são medicamentos utilizados para eliminar as bactérias e tratar doenças provocadas por elas. No entanto, as bactérias possuem mecanismos para se defenderem quando são expostas repetidas vezes e por longos períodos aos antibióticos.

A resistência aos antibióticos é uma defesa natural das bactérias e pode ser transferida para outras no meio-ambiente e para as gerações seguintes, com alta capacidade de disseminação. Apesar de ocorrer naturalmente, o problema tem se agravado a partir do uso inadequado de antibióticos tanto na saúde humana quanto dos animais. Por isso, está cada vez mais difícil tratar um crescente número de infecções e a resistência aos antimicrobianos é considerada uma das maiores preocupações globais em saúde pública.

Uso Racional de Medicamentos

Os danos causados por medicamentos, além de graves, custam R$ 60 bilhões ao ano para o Sistema Único de Saúde (SUS). A cada real investido no fornecimento de medicamentos, o governo gasta cinco reais para tratar as morbidades relacionadas a medicamentos (MRMs). As mais onerosas são as causadas por reações adversas (39,3% dos gastos), pela não adesão ao tratamento (36,9%) e pelo uso de doses incorretas (16,9%). Metade dos casos poderia ser evitada com uma supervisão mais cuidadosa e efetiva dos tratamentos (UFRGS/2017).

“Medicamentos são produzidos para beneficiar as pessoas, mas se não forem utilizados corretamente podem desencadear reações indesejáveis e até causar riscos severos à saúde”, explica Lorena Baía, presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de Goiás (CRF-GO). Segundo ela, o farmacêutico tem papel importante na promoção do uso racional de medicamentos, especialmente os antibióticos. “O farmacêutico é o profissional especializado capaz de minimizar e até barrar esses riscos através de uma assistência farmacêutica efetiva”, completa.

Prevenção

Algumas medidas simples podem ser adotadas como forma de evitar o uso de antibióticos, como higienizar as mãos e manter a carteira de vacinação atualizada. Outras ferramentas importantes no enfrentamento à resistência bacteriana é apoiar os profissionais de saúde para escolha adequada do tratamento a ser utilizado. O farmacêutico é o profissional fundamental na promoção do uso racional dos antimicrobianos, pois ele contribui diretamente no tratamento, do início ao fim, e consequentemente na melhoria da assistência prestada ao paciente.

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