Conselho de Farmácia alerta para o risco de se automedicar com cloroquina

Notícia difundida por meios de comunicação e nas redes sociais já causou uma corrida às farmácias em busca do medicamento

Foto: Reprodução

Bastou circular uma notícia de que o medicamento cloroquina seria eficaz no combate ao coronavírus para que grande parte da população fizesse uma corrida às farmácias em busca do medicamento.

Diante do pânico da pandemia do novo coronavírus, o Conselho Regional de Farmácia de Goiás (CRF-GO) faz um alerta. Neste momento, mais do que nunca, é importante que a população não se automedique e não difunda receitas milagrosas. “Todos os medicamentos têm efeitos colaterais e alguns podem ser fatais”, explica o diretor secretário do CRF-GO, Daniel Jesus, que é farmacologista e também professor.

Daniel explica que há um relato científico realizado na França que sugere boa resposta de pacientes com covid-19 tratados com cloroquina adicionada de azitromicina. “Não existem ensaios clínicos randomizados comprovando a efetividade, somente este relato científico”, detalha o farmacologista.

Também o Hospital Albert Einstein cita a hidroxicloroquina (derivado menos tóxico dessas drogas) em seu protocolo de manejo da covid-19 como opção de tratamento, ficando a critério médico a escolha por não haver estudos para essa indicação. “Vejo com muita prudência as notícias da hidroxicloroquina como potencial fármaco para o coronavírus. Primeiro, porque essas notícias em exagero desabastecem o mercado e pessoas que não necessitam do medicamento vão tomá-lo e pode faltar para pacientes que realmente precisam”, explica Daniel.

O farmacêutico também adverte que os estudos são muito frágeis ainda, feitos com poucos pacientes, não randomizados. “É claro que torço para dar certo, mas ciência não é milagre e a doença ainda é muito jovem, recente e imprevisível”, pondera.

Por último, Daniel alerta para o risco da automedicação: “Pacientes que vão fazer uso do medicamento sem nem apresentarem sintomas, estarão se expondo a um risco cardíaco desnecessário, como um dos efeitos colaterais”. Ele recomenda que as autoridades sanitárias racionalizem esse tipo de medicamento para que sejam devidamente usados no momento de crise em que vivemos.

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