Conselho de Arquitetura contesta argumentos do Nexus sobre fraude em assinaturas

Vice-presidente do CAU-GO questiona defesa de construtoras à imprensa local e destaca que nomes assinados em pesquisa de opinião precisam sim pertencer ao entrevistado

Vice-presidente do CAU-GO, Maria Ester | Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

A comprovoção da fraude envolvendo a pesquisa de opinião contidas no Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) do Nexus Shopping & Business, gigantesco empreendimento em construção no encontro das avenidas 85 e D, no Setor Marista, despertou o interesse da imprensa local no assunto, que vinha sendo debatido de forma aguerrida e quase que exclusivamente pelo Jornal Opção.

O relatório da Polícia Científica do Estado de Goiás que deixa claro que parte das assinaturas da pesquisa de opinião foram falsificadas foi alvo de reportagens na mídia goiana, uma delas veiculada nesta quarta-feira (19) na edição impressa do jornal “O Popular”.

A publicação ouviu as defesas da Consciente JFG Incorporações e da construtora Milão, responsável pela aplicação da pesquisa de opinião. Ambas têm recusado a manter contato com a nossa reportagem, mas apresentaram as versões ao outro veículo, tentando minimizar o escândalo dado com exclusividade pelo Jornal Opção.

Todos os argumentos utilizados pelo engenheiro Mário Rassi, responsável pela Milão, e pelo advogado da Consciente JFG Incorporações Helder Paiva foram, no entanto, questionados ou mesmo desmentidos pela vice-presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO), Maria Ester de Sousa.

Um dos principais pontos citados por Mário Rassi na reportagem é de que os formulários da pesquisa não precisariam ser necessariamente assinados pelos entrevistados, o que beira o absurdo como indica Maria Ester. Para a especialista, a assinatura é justamente o que vai dar subsídios para a legalidade do documento.

“Qual é o ponto de vista legal de um documento que não é assinado pela pessoa que o preenche? Não é possível uma pessoa não assinar o documento e isso ter algum valor. Seja um Estudo de Impacto de Vizinhança ou o que for”, defende.

Maria Ester também questiona a fala do advogado da Consciente de que a pesquisa não influenciaria na autorização da prefeitura para dar início às obras, uma vez que, segundo ele, o documento é usado apenas para “pensar em medidas mitigadoras para a região e não para autorizar a construção”. Não é o que explica a vice-presidente do CAU.

Segundo ela, a palavra “autorizar” está colocada de forma equivocada neste contexto. Ela atenta que a cidade é um espaço democrático e, como tal, conforme prevê a lei urbanística e de zoneamento, os moradores que compõem a região que será afetada pelo futuro empreendimento precisam dar um parecer sobre a viabilidade da construção. “Sim, um EIV negativo ou um estudo negativo poderia impedir a construção ao modificar os caminhos da aprovação do edifício”, pontua.

Ao “O Popular”, o advogado Helder Paiva ainda insistiu em desmerecer o trabalho da Polícia Técnica Científica ao afirmar que a possibilidade de fraude é “irrelevante”, uma vez que o número de formulários na pesquisa de opinião é superior ao exigido, enquanto há apenas 37 comprovadamente assinadas por uma única pessoa. “É só rasgar e jogar fora”, afirma o advogado. A vice-presidente do CAU-GO contesta: “É claro que a fraude prejudica o resultado e anula o todo”.

Além disso, fora a comprovada fraude nas assinaturas, Maria Ester destaca, por fim, que o Estudo de Impacto de Vizinhança apresentado pelo Nexus, de modo geral, é frágil e não engloba aspectos socioeconômicos e de infraestrutura. Em maio deste ano, o CAU-GO já havia apresentado relatório sobre o “gigante do Marista”, constatando inúmeras falhas em todo o empreendimento, que vão desde a certidão de Uso do Solo até a falta de plantas no projeto arquitetônico.

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