Conheça a dieta à base de insetos que a ONU defende ser a solução alimentar do futuro

Especialistas destacam fatores positivos como facilidade de produção e riqueza nutricional

Foto: Reprodução

Quais serão os desafios do futuro? Com uma população que cresce quase exponencialmente a expectativa é que em 2050 seremos nove bilhões de seres humanos sobre a Terra. E o crescimento populacional trará consigo o principal desafio: alimentar toda a humanidade.

O apontamento é parte de um relatório publicado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Já a solução aparece no mesmo relatório. Para a FAO, teremos que buscar no passado o futuro. Conhecida como “entomofagia”, a dieta a base de insetos, característica de povos originários, sinaliza ser a mais viável e nutritiva opção futurística.

Para o professor do curso de Medicina Veterinária, Alberto Elias Marques, o principal fator que torna o consumo de insetos um hábito a ser perseguido é a facilidade da produção. O professor destaca que a conversão alimentar em algumas espécies de insetos chega a 2 kg de ração para 1 kg do produto final. A critério de comparação, para cada 1 kg de carne bovina são necessários 7 kg de ração, além de 15 mil litros de água.

“Os insetos, além de precisarem de pouco manejo, sobrevivem em condições adversas como em casos de falta de energia elétrica, falta de alimentos e falta de funcionários. Um único indivíduo consegue cuidar de vários galpões”, explica Alberto.

Nutrição x Cultura

O nutricionista Lucas Rezende vai além. Ele defende que, por serem fontes de proteína animal, os insetos podem substituir carne bovina, suína ou de aves. Entretanto ele alerta que é um risco cogitar se alimentar exclusivamente de insetos.

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“Quando falamos em alimentação devemos pensar de uma forma geral. O ser humano necessita de diversos tipos de macro e micronutrientes. Pensando nos insetos, eles supririam toda a parte proteica e algumas vitaminas. No entanto o indivíduo deverá ingerir fontes dos demais nutrientes como carboidrato e gorduras insaturadas”, defende Lucas.

O nutricionista reconhece as barreiras culturais para que o hábito se torne viável em um futuro próximo. Ele aponta que para ultrapassar esse bloqueio já há alternativas que “disfarçam” o principal incomodo das pessoas com os bichinhos: “a aparência repugnante”.

“É possível encontrar os insetos na forma de farinha. A mais comum atualmente é a de tenébrios. Ela pode ser usadas em receitas que vão de pães ao incremento de sobremesas”, pontua.

Também reconhecendo as barreiras culturais o professor Alberto provoca. Ele cita que mesmo sem saber, os seres humanos já consomem cerca de 500 gramas de insetos por ano de forma industrializada em alimentos processados como massas de tomate.

Alberto aponta o que acredita ser o caminho para os insetos ocuparem a mesa dos brasileiros: conquistar o público feminino. “Ainda existe no Brasil a cultura de que a mulher é a chefe da cozinha. E são justamente as mulheres que têm maior rejeição aos insetos. Portanto conquistar esse público é fundamental”, finaliza.

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