“Congresso não pode ser transferido para a Avenida Paulista”, afirma Caiado

Para o governador, juntar crises econômica, sanitária e política num caldeirão “só vai dar naquilo que ninguém quer para o Brasil”

O governador Ronaldo Caiado (DEM) voltou a defender, na noite desta segunda-feira 1º, o diálogo como ferramenta para que o país retome a ordem e volte as atenções para o controle da pandemia e de seus desdobramentos. “É momento de distensionar”, frisou durante entrevista por videoconferência ao canal My News.

Caiado avaliou que é preciso impedir o avanço desse agente invisível, que se torna tão palpável quanto maligno no momento em que causa a morte de algum ente querido ou gera outros efeitos, como o desemprego. “[O coronavírus] é o nosso adversário primeiro. Depois vem o quadro da fome, do desemprego e da crise social, que estão dando primeiros passos e precisamos atuar”, concluiu.

Sobre a nova onda de protestos, que se dividem entre favoráveis e contrários ao presidente Jair Bolsonaro, Caiado avaliou que, apesar da polarização, o cenário leva a um senso comum: “Juntar crises econômica, sanitária e política num caldeirão só vai dar naquilo que ninguém quer para o Brasil”.

Caiado salientou que o momento pede, mais do que nunca, sintonia entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Ressaltou que a democracia precisa ser “reconhecida e respeitada” por todos, e que ela não surge a partir da aniquilação do presidente da República, do Congresso ou do STF. “Confrontar não fortalece o processo democrático, pelo contrário, fragiliza. E é contra isso que temos que nos posicionar”, opinou.

Se não está satisfeito, eleja outros em 2022

O governador defendeu que o espaço para discussões é o Congresso Nacional, onde estão os representantes do povo e se concentram os projetos de Lei que vão afetar diretamente a vida do cidadão brasileiro. “O Congresso não pode ser transferido para a Avenida Paulista”, pontuou. E ainda chamou a atenção para o poder do voto. “Não existe democracia sem que tenha um Congresso representativo. Ponto. Se não está satisfeito, eleja outros em 2022.”

Ao ser questionado sobre a postura de Bolsonaro na condução da pandemia, Caiado esclareceu que o tem aconselhado no sentido de construir uma agenda conjunta com os demais Poderes. “Naquilo que eu puder contribuir, vou contribuir para convergir”, disse.

Mesmo assim, o governador acredita que o momento é de voltar os olhos para o controle da crise, e não de discutir processo de impeachment, o que só elevaria o cenário conturbado do País. “Não aprovo qualquer ação de afastamento.”

Henrique Mandetta

Defensor da tese de que não se deve antecipar o debate eleitoral de 2022, Caiado relatou que o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta não tem pretensões políticas e que aguarda definições do Conselho da Presidência da Saúde para voltar à batalha contra o coronavírus.

“Mandetta está no interior do Mato Grosso do Sul. Tem uma quarentena a cumprir e está aguardando para voltar às atividades, já que é um apaixonado pela medicina, pelo SUS”, frisou. “Este é o objetivo principal do Mandetta. Ele tem muito a contribuir para os Estados que estão vivendo os piores momentos com o problema da pandemia”, ressaltou.

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