Cone Crew e Fresno fecham festival e atraem o maior público dos três dias

Domingo foi marcado pelo rock de garagem e pelo hardcore, com bandas do Brasil inteiro. Também teve espaço pro rock “apocalíptico” do Rollin Chamas

Cone Crew Diretoria Vaca Amarela 2015 | Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

Falando de maconha e política e xingando o PT e a presidente, o Cone Crew atraiu muita gente ao CCON | Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

O Festival Vaca Amarela chegou ao fim no domingo (6/9), com o maior público dos três dias, mesmo ocorrendo simultaneamente ao festival de música sertaneja Villa Mix. O bom número de presentes no Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON) foi resultado da presença da banda Fresno e do grupo de rap Cone Crew Diretoria, neste que foi um dia praticamente só de rock.

O rock de garagem e o hardcore foram absolutos no domingo, com a Almost Down e a Verne abrindo os shows do dia. Depois delas, subiu ao palco a Feed my Kraken, que tocou as músicas do EP Black Pipe.

Depois foi a vez do OFF 1984, banda de screamo que ainda está começando, mas que mostrou animação e empolgação mesmo com o público ainda reduzido por causa do horário. O primeiro grupo de rap do dia foi o Sã Consciência, com cinco MCs no palco e acompanhamento de uma voz feminina que casou bem com a música deles.

Caffeine Lullabies subiu ao palco em seguida fazendo um hardcore melódico com as canções do primeiro disco deles, The Closest Thing to Death.  Aí foi a vez dos brasilienses do Dona Cislene. Destaque para as músicas Good VibeIlha, que eles gravaram com o Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial e com o Digão, do Raimundos.

Por volta das 20h subiu ao palco uma das melhores bandas da noite, o DogMan. Além do vocalista Haig Berberian, uma verdadeira figura, ter roubado a cena e conquistado a plateia com sua performance e piadas, o set mais pesado com uma mistura de grunge e rock foi destaque. No setlist, músicas que estarão no primeiro LP da banda, que atualmente arrecada dinheiro pelo sistema de crowdfunding: Desert, Dirty feet on high heels e Bitter.

Os vocalistas seguiram em destaque na apresentação do magueRbeS, de São Paulo. O frontman Haroldo Paranhos deu trabalho à produção, ficando mais tempo no meio da plateia que no palco propriamente. Com um estilo punk, atuação glam e música hardcore, eles fizeram um dos shows mais loucos desta edição.

Depois deles, subiu aos palcos uma das bandas mais conhecidas de Goiânia, o Cherry Devil. O público já era maior que nos outros dias do Vaca Amarela e muita gente parou pra cantar junto as canções de Lions, Spirits & Dragons.

A atração internacional do dia era o Novonada, de Londres, mas que une músicos brasileiros e italianos. Eles trouxeram ao Brasil as canções do CD ABAPORU, cujo estilo, chamado por eles de rock antropofágico, é inspirado pelo movimento de mesmo nome da arte brasileira.

O rap voltou à cena com o Faroeste, uma dupla de rappers que mostrou domínio do palco. No show do Aurora Rules o vocalista também teve destaque. Yuri Lemes comandou a apresentação também indo para o meio do público, que sabia todas as letras, pedia músicas específicas e mostrou que a banda é uma das mais conhecidas do cenário goiano.

A plateia já gritava empolgada enquanto os integrantes do Fresno ainda nem haviam chegado perto do palco. O grupo, que comemorou 15 anos em 2014, mostrou o quão fieis são seus fãs e conseguiu mobilizar um dos maiores públicos do festival inteiro. O setlist tinha muitas músicas dos discos mais recentes e a plateia acompanhava aos berros (e alguns, aos prantos).

Quase não houve espaço para as canções mais antigas no show. De Ciano (2006), por exemplo, o destaque foi Quebre as Correntes, um dos clássicos do movimento emo de 2006/ 2007. Curiosamente, a maior parte do público não a conhecia.

Pode-se dizer que o show foi baseado praticamente nos dois últimos álbuns, Revanche, de 2010, e Infinito, de 2012. Do primeiro, Revanche, Deixa o Tempo, Eu Sei, Minha História não acaba aqui e Relato de um Homem de Bom Coração. De Infinito, Maior que as Muralhas Infinito foram os destaques.

Fresno Vaca Amarela 2015 | Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

O setlist do Fresno no festival priorizou as canções dos discos mais recentes | Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

A penúltima apresentação foi a do Rollin Chamas, que, com o clima apocalíptico, podia bem ter sido a última. Como bem definiu o jornalista Pablo Kossa, que comandou a apresentação do evento, o Rollin Chamas definiu o ethos goiano com o lema “Sou goiano e f***-se”, que foi estampado em bandeirinhas que foram distribuídas pela plateia.

O show seguiu o roteiro tão amado pelo tradicional público de festivais na cidade: vocalista vestido de mulher, churrasquinho pra plateia sendo assado no palco, frango frito sendo sorteado pro público, gente dançando em cima do palco, cerveja voando pra todo lado. Um caos, em suma. Mas o caos preferido dos roqueiros goianos.

Quem não conhecia tentava processar tanta informação. Quem já está acostumado com o roteiro, cantou junto Feliz Ano Punk!, Adalgisa e outros hinos do grupo. Teve espaço, claro, pra um coro quase interminável de Hey Jude, do Beatles, pra rodinhas de hardcore e gente sem fôlego depois que eles deixaram o palco.

Fechar todo o festival ficou por conta do Cone Crew Diretoria, grupo de rap carioca. São quatro MCs no total e um DJ se alternando no palco, no estilo de música “legalize” do novo álbum Bonde da Madrugada, Pt. 1.

Com algumas letras tratando sobre política, o Cone Crew não poupou críticas ao PT, xingando o partido e a presidente Dilma – e sendo acompanhados pelos presentes – e criticando a falta de educação para a população brasileira.

Confira as fotos do último dia do Vaca Amarela:

Este slideshow necessita de JavaScript.

Deixe um comentário