“Condenamos qualquer direcionamento de pacientes. UTIs devem estar abertas a todos”

Presidente do Cremego é incisivo ao afirmar que médicos comprovadamente envolvidos no escândalo das UTIs devem ser excluídos da profissão

Presidente do Conselho Regional de Medicina disse que a entidade aguarda que informações sejam repassadas para analisar os casos

Presidente do Conselho Regional de Medicina disse que a entidade aguarda que informações sejam repassadas para analisar os casos | Foto: divulgação

“Se cometeram tais atos, fizeram uma antimedicina. Pessoas que se envolvem nesse tipo de crime devem ser excluídas da profissão.” Ainda na espera das informações oficiais do Ministério Público de Goiás (MPGO) sobre a Operação SOS Samu, o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), Aldair Novato Silva, condenou práticas que não condizem com o que se espera de um médico no exercício da profissão.

Em entrevista ao Jornal Opção, ele assegurou que a entidade tratará o envolvimento de profissionais da medicina no esquema de pagamento de propina para internar pacientes atendidos pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de hospitais particulares com extrema seriedade.“Se comprovadas, são atitudes reprováveis e o Cremego tomará todas as medidas cabíveis.”

Aldair Novato pediu à sociedade que confie na atuação do conselho, que não se omitirá diante de suspeitas tão graves contra médicos envolvidos em um esquema de fraude no atendimento de saúde. “São práticas que não fazem parte do escopo da medicina. Ilícitos existem em qualquer parte da sociedade, mas a classe médica goza de muito prestígio social e não pode compactuar com ilícitos quando vidas estão envolvidas”, declarou.

De acordo com o presidente do Cremego, a gravidade das denúncias é inquestionável, mas que é preciso ter cuidado no julgamento sem o embasamento legal. “Não nos foi enviado nada até o momento por parte do Ministério Público. Sabemos do que foi divulgado pela imprensa. Para que iniciemos uma sindicância é preciso garantir o direito ao contraditório a partir da apresentação de provas contras os médicos que forem investigados ou denunciados.”

A partir do momento em que o Conselho tiver acesso aos documentos da Operação SOS Samu passará a agir. Contudo, ainda não houve denúncia formal.

Mesmo assim, o presidente fez questão de ressaltar que as suspeitas apuradas são graves e, caso comprovadas, passíveis de processos disciplinares. “Condenamos qualquer tipo de direcionamento de pacientes. A UTI tem que estar aberta para qualquer paciente, seja da medicina suplementar ou do SUS”, comentou.

Ao ser questionado sobre o uso de medicamentos para rebaixar a consciência de pacientes ou agravar o quadro clínico para justificar a internação em uma UTI, Aldair Novato disse que, se casos assim forem confirmados pela Justiça, os médicos envolvidos “devem ser excluídos” da profissão.

“O Conselho tem absoluto interesse em tomar conhecimento o quanto antes do teor dessa investigação e das provas elaboradas pelo Ministério Público contra os médicos suspeitos dessa prática criminosa. Queremos acompanhar as denúncias e tomar as atitudes cabíveis, que têm que respeitar prazos para instrução da sindicância e julgamento que são menores do que os adotados pela Justiça.”

Aldair Novato afirmou que o Cremego está “ansioso” para, dentro da seriedade da análise desses casos, dar uma resposta justa às práticas investigadas. “Tomaremos as atitudes necessárias para esclarecer, e, se preciso, punir os envolvidos.”

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