“Como quase tudo está aberto e a informalidade reina, existe uma insatisfação grande”, diz Abrasel-GO

Bares e restaurantes da capital cobram cronograma planejado para reabertura de forma segura

Apesar de registrar uma alta ocupação de leitos com o avanço da Covid-19, a pressão pela reabertura de bares e restaurantes é cada vez maior na capital do Estado. O segmento foi um dos primeiros a apresentar um plano rígido de retorno, mas segue sem qualquer indicativo de reabertura em um futuro próximo.

Segundo entidades representativas da categoria, a situação dos estabelecimentos é cada vez mais desesperadora, o que leva o segmento à defesa de que salvar empregos também é salvar vidas. Em Goiânia são cerca de 8 mil restaurantes, bares e lanchonetes, com cerca de 40 mil trabalhadores diretos. 

Alguns restaurantes mantiveram o delivery, mas o faturamento desse serviço representa no máximo 20%. Segundo o presidente da Abrasel-GO, Fernando Jorge, o setor foi o primeiro a apoiar o fechamento prevenindo a disseminação do novo coronavírus, mas agora assistem a um cenário de desrespeito à quarentena e não conseguem trabalhar de forma responsável.

“A maioria quer abrir. Como quase tudo está aberto e a informalidade reina, existe uma insatisfação muito grande. As pessoas não cumprem quarentena, a fiscalização não é eficaz e quem deseja trabalhar certo não é autorizado”, destaca Fernando Jorge, ao frisar que, apesar disso, a Abrasel não defende a desobediência civil.

Em busca da retomada

Segundo Fernando, os empresários buscaram o diálogo com o governo de Goiás e com a prefeitura de Goiânia, mas ainda não tiveram um retorno. Uma cartilha com todas as normas para abertura foi feita com todas as medidas de segurança, seguindo orientações da Organização Mundial da Saúde e por especialistas em saúde.

“Não pregamos uma volta sem flexibilização, pois isso pode prejudicar ainda mais os estabelecimentos, que além de serem fechados poderão sofrer multas. Mas é importante destacar que após 20 dias de fechamento já entregamos os protocolos de retorno para a Secretaria de Saúde do Estado e depois para a prefeitura. Infelizmente o poder público não está sendo competente para organizar uma volta”, finaliza Fernando Jorge.

Enquanto isso, um bar da cidade iniciou um movimento nas redes sociais, ainda sem adesão, anunciando que deve reabrir as portas sem autorização da prefeitura. “Fomos a primeira classe a nos disponibilizar a parar, fizemos de forma responsável sem gerar desemprego e ajudando os nossos colaboradores, preocupados com nossos clientes”, diz trecho da publicação. “Na segunda já estaremos fazendo reservas para abertura”, finaliza o texto.

Na Câmara

Na Câmara Municipal, muitos vereadores tem encapado a busca pela reabertura do comércio, bares e restaurantes. Segundo a vereadora Sabrina Garcêz (PSD), os parlamentares cobram atitudes de enfrentamento à crise. “Pessoas que dependem dos seus trabalhos para comer e sustentar uma casa estão em desespero”, argumenta.

“Sabemos que existem maneiras seguras para essa reabertura e é necessário que seja apresentado um cronograma planejado de forma eficaz para que os impactos sejam os menores possíveis para o comércio, sempre valorizando a saúde da população. É importante que a gente se lembre sempre que existem pessoas que realmente dependem do funcionamento desses locais para viver”, completa Sabrina.

O presidente da Casa, Romário Policarpo (Patriota), o líder do prefeito na Casa, vereador Wellington Peixoto (DEM), e o vereador Lucas Kitão (PSL) também tem atuado na defesa da retomada responsável do comércio. No entanto, o Paço segue realizando estudos e pesquisas para garantir que a flexibilização não culmine em um estrangulamento do serviço de saúde.

Segundo interlocutores, a palavra de ordem da prefeitura de Goiânia no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus é prudência. Por isso, o Comitê de crise deve seguir monitorando os números e realizando estudos em parceria com a UFG para aí sim adotar novas flexibilizações baseadas em critérios técnicos e científicos.

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