Comissão encontra apenas quatro dos 133 médicos lotados na Regulação de Goiânia

Secretária tem até a próxima terça-feira (7/11) para apresentar relação dos servidores lotados no departamento além do perfil de vagas de UTI e pacientes

CEI da Saúde em reunião na Central de Regulação | Foto: Divulgação / Elias Vaz

Mayara Carvalho

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga a situação da saúde pública em Goiânia, teve na manhã desta quarta-feira (01/11) uma reunião especial na Superintendência de Regulação e Políticas de Saúde da capital.

Segundo levantado pela CEI, a regulação conta com 133 médicos lotados no departamento, número que corresponde a mais de 10% do quadro de médicos do município. Apesar disso, apenas quatro estavam trabalhando nesta manhã.

No prédio do Jardim Goiás, funcionam quatro departamentos, na teoria com 61 profissionais. Mas nenhum estava no local. Questionada pelos vereadores, a superintendente Andréia Alcântara disse que eles cumprem a carga horária, mas não apresentou a escala de trabalho.

“Vamos aprofundar a investigação, mas o que observamos é que, enquanto faltam médicos nas unidades de saúde, há um número alto de profissionais que teoricamente estariam executando funções administrativas, mas não há comprovação de que todos estão realmente trabalhando”, destacou Elias Vaz (PSB), relator da comissão.

O presidente da CEI, Clécio Alves (PMDB), classificou a visita como decepcionante. “É um descalabro atrás do outro. Visitamos o Ciams Novo Horizonte e estava abandonado. Hoje na regulação estava da mesma forma. Fila quilométrica, centenas de pessoas pra fazer chequinho e nenhum médico estava trabalhando lá hoje”, afirmou.

A maior parte do serviço foi transferida para o Paço Municipal, onde a Comissão encontrou quatro médicos em expediente, todos na Central de Regulação, responsável por identificar vagas na rede pública de acordo com o quadro dos pacientes.

“Pelo relatório encaminhado pela própria Secretaria, há 52 médicos nesse departamento. A gerente de Regulação nos informou que há dois turnos, quatro médicos atuam durante o dia e mais três à noite, ou seja, são sete. É preciso explicar por que há tantos profissionais. E nós vamos buscar essa resposta”, explicou o relator Elias Vaz.

Prazo para apresentar documentos

Durante a reunião especial foi realizada uma votação onde ficou determinado um prazo de 48 horas para que a Secretária de Saúde, Fátima Mrué, apresente a relação dos 133 médicos lotados na regulação come nome, função, carga horária e local de prestação de serviço de cada um deles, além da lista dos perfis das vagas UTIs disponíveis e do perfil dos pacientes em espera.

O presidente da comissão explicou que o prazo se encerra na próxima terça-feira (7/11) e, caso não sejam apresentados os documentos, pode ser determinada a busca e apreensão. “Farei isso sem nem pestanejar, usando inclusive a força policial. A secretária tem atuado como chefe de assassinato em massa em Goiânia. Mata por omissão de socorro”, denunciou Clécio.

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