Portas fechadas e placas de “aluga-se” ou “vende-se” tomam conta do local. Mais de 40% das lojas estão desocupadas

Ela já foi uma das principais avenidas de comércio da capital. Há alguns anos, fazer compras na Avenida Bernardo Sayão era sinônimo de variedade de produtos e preço baixo. Mas, para voltar pra casa cheia de sacolas, era preciso enfrentar uma multidão que frequentava o local pelo mesmo motivo: comprar.

Quem não vivenciou esse período e vê a avenida nos dias de hoje mal consegue acreditar que ela já foi sim um pólo comercial. Isso porque a realidade atual é bem diferente: portas fechadas e placas de “aluga-se” ou “vende-se” tomam conta do cenário.

Segundo a Associação Comercial e Industrial da Bernardo Sayão e Região, cerca de 40% dos 2,2 mil estabelecimentos estão desocupados. São 800 comércios que não vendem, não empregam, não contribuem.

Mas pra quem percorre a avenida de ponta a ponta, a sensação é de que o número de lojas de portas fechadas é ainda maior.

Comerciante no local há 17 anos, Luzimeire Pires lembra com carinho da “época de ouro” da Bernardo Sayão. “Cheguei aqui em 2001 e a avenida já era bem movimentada. Todos os dias atendíamos pessoas de vários lugares do país, do norte, nordeste e até do sul. Aos sábados trabalhávamos até as 16 horas para atender todo mundo. Hoje fechamos as 11 horas”, lembra.

Cercada por comércios de portas fechadas e placas de anúncio, Luzimeire conta que só tem resistido à decadência da avenida porque já tem clientela antiga formada e entende que a situação de quem tenta se estabelecer no local atualmente é complicada.

Valor dos aluguéis

Para quem ainda ganha a vida através do comércio da Bernardo Sayão, a principal causa do abandono da avenida foi o aumento exorbitante que os aluguéis das lojas sofreram.

Luzimeire, que hoje paga R$ 500 pelo aluguel do seu comércio, chegou a pagar em 2005 o valor de R$2,5 mil pelo mesmo ponto. “Sinceramente não acho que a 44 foi o principal motivo, claro que muitas pessoas migraram pra lá, mas o que foi mais decisivo foi o valor do aluguel que se cobrava por aqui.”

Já a comerciante Fátima que, também está na avenida há mais de 16 anos, acredita que as grandes lojas que fugiram da Avenida 85 e se instalaram na Bernardo Sayão foram responsáveis pelo encarecimento dos aluguéis.

“Vieram muitas vitrines da 85 para cá. Isso onerou muito a avenida, com essas lojas bonitas, aumentou a qualidade e os preços também. E ainda inibiu as ‘sacoleiras’ que era o nosso principal público”, contou.

Os comerciantes do local contam ainda que, para atrair mais empresários para a avenida, os donos de imóveis têm abaixado os aluguéis. Outra medida que pode atrair investidores para a Bernardo Sayão está tramitando na Câmara Municipal de Goiânia. Um projeto de autoria do vereador Wellignton Peixoto (MDB) que cria o Arranjo Produtivo Local da Moda em Goiânia já foi aprovado em primeira votação.

O paramentar explica que o intuito da proposta é alterar os graus de comodidade para permitir alterações na região. “Na Bernardo Sayão atualmente não se pode construir prédio maior que três andares. Com o projeto essa regra muda e aí poderemos ter hotéis e grandes galerias na região”, contou.

Além disso, o vereador revela que o texto permitiria que o trânsito no local também sofresse mudanças, permitindo, inclusive, a circulação de ônibus na região e a construção de edifícios-garagem.