Com turbulências recentes, líder do PSL na Câmara diz que filiados têm divergências e podem se manifestar
16 setembro 2019 às 15h02

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Delegado Waldir defende a CPI da Lava Toga, mas não a saída de Flávio Bolsonaro do PSL

Para o deputado federal por Goiás Delegado Waldir, líder do PSL na Câmara dos Deputados, as crises e brigas no partido são normais, pois se trata de uma sigla em efervescência.
Um dos atritos é em relação à instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Lava Toga, que já conta com 27 assinaturas necessárias. Entretanto não consta, por exemplo, o nome do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o que gerou críticas do líder do PSL, no Senado, Major Olímpio.
Para Waldir, desde o início existem parlamentares com posições divergentes, o que mostra o quanto é difícil ser líder do PSL. “E eu acho que todos têm direito de se manifestar”.
Caso
Olímpio, que junto com outros membros do partido (Juíza Selma Arruda [MT] e Soraya Thronicke [MS]), pretende colocar seu nome para a aprovação da CPI da Lava Toga, afirmou, que o filho mais velho do presidente Bolsonaro (PSL) deveria sair da legenda.
“Nós [e ele as senadoras] que representamos a bandeira anticorrupção do Presidente. Eu tentei convencê-la (senadora Juíza Selma, de saída para o Podemos) a ficar e resistir conosco. Quem tem que cair fora do PSL é o Flávio, não ela. Gostaria que ele saísse hoje mesmo”, disse ao Estadão.
Convergência
Apesar da proximidade com o presidente, a posição de Waldir, nesse assunto, converge com a de Major Olímpio [em relação a CPI, não sobre a saída]. “Na verdade, eu fico mais ao lado do combate à corrupção. Eu defendo que, como deputados e senadores investigados, o STF não pode estar imune”.
Ele ainda citou que, em vários momentos, esteve ao lado de Flávio, mas que nesse assunto é favorável ao posicionamento do Major. Delegado Waldir lembra, inclusive, que o presidente nacional do partido, Luciano Bivar, também diverge de Olímpio, e é contra a CPI da Lava Toga. “Mas não é posição de bancada. Cada um tem a sua opinião, que é pessoal”, justifica.
Vale citar que, no fim de semana, o ministro Gilmar Mendes disse, à Folha, que, caso a CPI seja instalada, o Supremo Tribunal Federal (STF) mandará trancá-la. A Lava Toga tem por objetivo investigar suposto “ativismo judicial” por parte de membros dos tribunais superiores.