Com primeiros debates, estratégia de candidatos começa a ficar clara

Cinco dos sete concorrentes à chefia do Executivo estadual nas eleições de outubro tiveram duas oportunidades para debater propostas e criticar adversários

Eleitores aguardam debates para definir voto para governador | Foto: Divulgação

O eleitor goiano teve, até a noite de terça-feira (28/8), duas oportunidades de analisar o discurso, propostas e críticas apresentadas por cinco dos sete candidatos a governador. A primeira foi na tarde de segunda (27) e a segunda na noite de ontem na TBC. A parte a se lamentar é que tivemos uma hora a menos para avaliar os concorrentes ao Executivo em Goiás.

Como o apresentador Enzo de Lisita passou mal no ar, durante os últimos segundos do segundo bloco do programa, a atitude mais sensata era mesmo um acordo para encerrar o debate em sua metade, com cerca de uma hora das duas que teria de duração. Torcemos para que o jornalista melhore e tudo não tenha passado de um susto.

Vimos o governador José Eliton (PSDB), o senador Ronaldo Caiado (DEM), o deputado federal (Daniel Vilela), a presidente estadual do PT, Kátia Maria, e o professor Weslei Garcia (PSOL) começarem a usar parte das estratégias que adotarão nos próximos 39 dias de campanha, que se encerra um dia antes da votação no primeiro turno, no domingo 7 de outubro, nos dois debates. Em aproximadamente três horas – somadas as duas horas na Interativa e uma na TBC -, começou a ficar evidente quem é quem para o eleitor. Ou passará a ser cada vez mais claro a partir desta semana.

Legado + novas propostas

O governador José Eliton, que busca a reeleição, tem o desafio de se defender das críticas de quatro candidatos na oposição que tentarão de todas as formas desqualificar o legado de um grupo político que completará em dezembro 20 anos à frente do Estado e vitórias nas últimas cinco eleições estaduais.

Além de defender os avanços, programas e realizações de seu grupo, que é liderado pelo ex-governador Marconi Perillo (PSDB), José Eliton tem ainda de responder à depreciação dos opositores em suas respostas nos debates e conseguir apresentar novas propostas que o coloquem como uma opção com identidade própria, não apenas dependente do que seu antecessor fez.

Parte das afirmações feitas pelo tucanos nos dois primeiros debates buscaram apontar inconsistências e falta de propostas para Goiás nas declarações e críticas dos outros quatro candidatos, principalmente de Caiado, que lidera as pesquisas de intenção de votos, e Daniel, que segue próximo ao governador nos levantamentos estimulados divulgados até o momento.

Ética e oposição

O senador do Democratas, que disputa a eleição para o cargo de governador pela segunda vez – a primeira foi em 1994, se coloca como o candidato sereno que tenta mostrar ao eleitor uma linha de coerência no histórico político e nas propostas para mudar o rumo do Estado. Para isso, Caiado apresenta a correção do que seriam os erros do grupo político de José Eliton há quase 20 anos no poder.

A busca pela consolidação de um discurso de coerência e ética é pautada, nas declarações de Caiado nos dois primeiros debates da campanha, pela dedicação em denunciar e lutar como senador contra os abusos e atropelos da gestão à qual se coloca como oposição.

Ao mesmo tempo, o parlamentar precisa se defender de ataques, como o feito pelo deputado federal emedebista de que o democrata seira um opositor por oportunismo, já que apoiou oficialmente o grupo político do PSDB no governo até 2010, quando indicou o vice de Marconi.

Oposição de verdade

O deputado federal Daniel Vilela quer se colocar como a novidade, um político que represente a inovação. Propõe uma administração pública pautada nas ações e não mais nos grupos políticos. Tenta fazer com que o eleitor o identifique como um candidato que represente a juventude e as novas ideias para o Estado.

Parte de seu discurso, inclusive, é pautado em se colocar como o único candidato da oposição que pode se dizer desde o início na mesma posição, a de contestador dos governos do grupo político que José Eliton representa, o Tempo Novo. Daniel busca as críticas ao governo estadual para mostrar as falhas do governo que ele considera desgastado, mas erra ao se apoiar em ações do MDB quando estava à frente do Estado, até 1998.

Claro que fica evidente a tentativa de resgatar a boa avaliação do governo de seu pai, Maguito Vilela (MDB), ultimo de seu partido em Goiás. Mas é preciso que Daniel consiga se apresentar como novo. E ser inovador talvez seja mostrar a força do grupo que conseguiu montar ao lado de novas lideranças políticas de outros partidos, não naqueles que governaram no passado, por mais que bons exemplos sirvam para saber o que fazer e o que não botar em prática.

Plataforma Lula e total ruptura

Além dos três, que representam determinado grupo político que comanda ou já esteve há frente do Estado desde a República Velha à jovem redemocratização pós-ditadura militar, temos a professora Kátia Maria, que precisa lembrar que é candidata a governadora e não uma mera plataforma do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na busca por tentar a quase impossível missão de concorrer novamente ao Palácio do Planalto.

Kátia Maria tem focado seu discurso nos debate na crítica aos candidatos ditos tradicionais. Ela e o professor Weslei Garcia são parecidos ao colocarem quem surgir no embate como inimigos da população. São Kátia e Weslei representantes de uma ruptura completa ao histórico de governo da família Caiado, dos emedebistas e tucanos, que em diferentes momentos estiveram ou estão no poder em Goiás.

A petista tem focado mais na revogação de propostas como a Reforma Trabalhista, aprovada pelo governo Michel Temer (MDB), e a PEC do Teto de Gastos no governo federal, o que fortalece o seu discurso de “a candidata do Lula” no Estado. O concorrente pelo PSOL adota tom um pouco mais agressivo contra os adversários e também fala do plano nacional, mas critica políticas estaduais, principalmente as do governo tucano.

Ainda é cedo

No modelo de debate de segunda, na Interativa, candidatos se guiaram pela ordem do sorteio para fazer suas perguntas. Já na TBC, os concorrentes escolhiam com quem debateriam a partir do segundo turno, que acabou por se tornar o último do programa. Antes responderam a perguntas de diversas entidades.

Seja no sorteio ou no modelo de escolha do candidato a debater ou criticar, pouco se viu de situações de saia justa ou falta de preparo na hora de responder a questionamentos que pudessem parecer delicados. Mas o eleitor começa a entender que, do discurso completo de terra arrasada à defesa incontestável do legado, há graduações e níveis diferentes de ruptura ou continuidade das políticas públicas em andamento.

O que se espera é que a campanha na TV e no rádio, a partir de sexta-feira (31), além dos próximos debates, ajude os goianos a ter cada vez mais oportunidades de conhecer as propostas e críticas que os candidatos a governador têm a apresentar para decidir se mantêm o quadro de intenções de voto como está ou dão um novo rumo às eleições no segundo turno.

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