Com pandemia, comércios serão pressionados a se adaptarem mais rápido à internet, diz pesquisa

Para pesquisador Altair Camargo, isolamento social vai acelerar processo para transição virtual em empresas

Home office, compras virtuais, internet banking e web aulas serão mais comuns depois da pandemia | Foto: Reprodução

Um relatório elaborado pela Sempreende conversou com 300 consumidores no Estado de Goiás para compreender como a pandemia do novo coronavírus tem mudado a forma de consumo das pessoas e qual a influência das redes sociais sobre essas mudanças e como elas têm sido utilizadas pela reduzir os impactos econômicos provocados pelo fechamento de grande parte dos comércios e isolamento dos consumidores.

Para Altair Camargo, cofundador da Sempreende e mestre em Empreendedorismo e Inovação pela UFG, a pesquisa foi motivada por uma curiosidade em relação ao comportamento dos consumidores ante a pandemia, mas pouco material disponível nacionalmente. “Em vez de esperar sair algum resultado de pesquisa, pensamos: Vamos fazer a nossa”, afirmou.

O perfil da amostra revela participação predominante de mulheres (76,6%), maioria dos entrevistados com pós-graduação (51,3%), e entre 25 e 40 anos (60%). Dentre os entrevistados, também, estão donos de negócios (28,7%), autônomos (24%) e funcionários do setor privado (20,3%).

De acordo com o estudo, para 63% dos consumidores vêem problema em comerciantes tirarem proveito da Covid-19. Para 28%, não há problema algum, e 9% demonstraram neutralidade quanto a isso. Dentre os consumidores que fizeram parte da pesquisa, 75% acompanham as ações das empresas durante a pandemia, portanto, o estudo considera que “é importante que elas analisem os prós e contras antes de aumentarem os preços e realizarem ações que possam ser consideradas abusivas”. Essas empresas podem ficar com imagem negativa para a maioria de seus consumidores.

O consumidor e hipnoterapeuta Eduardo Tomazett condena comércios com esse tipo de atitude. “Em tempos de isolamento social, onde fomos orientados a ficar em casa e diminuir nossas saídas, tenho percebido um aumento agressivo por parte de algumas empresas e profissionais em relação ao marketing pesado realizado, principalmente pelas redes sociais”, falou.

“É verdade que muitas empresas precisaram se reinventar de forma rápida para continuar a vender seus produtos e serviços, porém acredito que precisamos pensar bem naquela frase já bem conhecida que diz: “Em um velório, alguns choram, outros vendem lenços.” Será que realmente é momento de vendermos lenços? De nos aproveitarmos da fragilidade das pessoas e abusar desse momento de medo e desespero para lucrar em cima?”, argumentou.

Também foi constatado que 75% das pessoas preferem empresas que tenham a mesma opinião que ela em relação à Covid-19. Outros 74% valorizam empresas que oferecem serviços de graça durante o período de pandemia. Com isso, o estudo demonstra que as empresas que mostram mais dos seus valores e o que pensa sobre questões sociais e políticas ou até mesmo expor como trata seus funcionários e clientes. De acordo com o relatório, esse tipo de exposição pode valorizar a marca.

“Se uma pessoa está extremamente preocupada com sua saúde, em não sair e com evitar aglomeração, elas vão preferir comprar de empresas que também tenham este cuidado e que demonstram esses cuidados nas redes sociais, nas embalagens, na forma de atender o cliente e tudo mais. 3 a cada 4 pessoas estão acompanhando o que as empresas estão fazendo. Elas estão interessadas no comportamento da empresa. Elas pensam: Deixe eu ver o que essa empresa faz, se combina com meu valor para eu comprar dela ou não”, pontuou Altair.

Consumo

O relatório também constatou que 85% das pessoas continuam comprando com a mesma intensidade que antes da pandemia. Ações que incentivam as pessoas a comprarem de comércios locais também têm ganhado bastante adesão nesse período de crise. Entre os entrevistados, 92% acham importante comprar de pequenos negócios. Tanto é que 52% conheceram novas empresas durante a quarentena. Dentre os consumidores, 41% compraram em empresas das quais elas nunca haviam comprado.

“Mesmo as pessoas saindo menos de casa, tem espaço para empresas aparecerem. Pessoas que fazem máscaras ou chocolates, tem espaço para esses negócios aparecerem no whatsapp, redes sociais, virtualmente ou presencialmente. Elas estão conseguindo vender e ter novos clientes. Interessante que quem vai atrás consegue vender para os cliente que já tem, mas também estão conseguindo vender para novos clientes. Podemos observar que surgirão muitos novos negócios dessa quarentena.Por exemplo, quem já uma confecção de roupa, passa a fabricar máscaras e isso se torna o negócio principal”, observou o cofundador da Sempreende.

No entanto, o estudo também apontou que as pessoas que comprar pela internet têm medo de que os produtos não estejam higienizados o suficiente e temem contrair o novo coronavírus por meio desses itens. São 57% das pessoas que afirmam que consumiriam mais, caso tivessem certeza de que o produto não estivesse infectado. O nível de confiança aumenta, quando os cliente conhecem os donos do negócio, pois 43% preferem comprar de conhecidos.

Para Altair, é interessante empresas que estejam preocupadas em fazer o marketing do processo. “As pessoas estão valorizando empresas que mostram o processo de fabricação. Por exemplo, se tenho um restaurante e mostro meu processo, todos de luvas, máscaras, passando álcool gel antes de entregar para um motoqueiro, colocando em uma embalagem externa para que a principal não seja contaminada, talvez isso passe a ser uma proposta de valor das empresas. Pode se tornar um nicho”, sugeriu.

Mudanças no cenário

De acordo com Altair, o consumo e os trabalhos realizados virtualmente devem ser ponto central das mudanças ocasionadas na economia com a pandemia. “Coisas que coisas que era feitas presencialmente e são possíveis de serem feitas online, farão online. Acelerou o processo”, opinou. “Coisas que coisas que era feitas presencialmente e são possíveis de serem feitas online, farão online. Acelerou o processo.”

“Também acredito na questão do home office, porque não eram tantas empresas que permitiam, agora todos tiveram que aprender na marra. Muitas estão apanhando, mas a partir do momento em que aprenderem, podem perceber a vantagem e continuarem usando. As tendências que já estavam a caminho e seriam naturais em dez ou quinze anos são naturalizadas mais rápido, ainda neste ano”, disse.

Outras mudanças também estão a caminho e vão precisar de uma adaptação mais rápida dos empreendedores. “A questão da higiene, que antes era uma preocupação exclusiva de negócios ligados à alimentação, vai passar para outros tipos de negócios. Acelerou o processo de pedirem coisas em casa. O delivery já estava crescendo, mas acredito que como as empresas precisaram se adaptar a ele, como é o caso de uma ferragista, uma farmácia ou até uma grande rede, como Lojas Americanas, por exemplo, devem melhorar sua logística”, explica.

 

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