Com muito marketing e poucas doses, Aparecida de Goiânia paralisa vacinação

Prefeitura anunciou que para retomar a aplicação da Dose 1 nos drive-thrus, Aparecida aguarda nova remessa de doses

Legenda: Vacinação precisa ser universal, pública e sem privilégios | Foto Tomaz Silva| Agência Brasil

Aparecida de Goiânia se preparou para vacinar grupo prioritário acima de 62 anos, numa corrida para se antecipar aos outros municípios goianos. No entanto, faltou combinar com os russos. Ou melhor, com os chineses e indianos. Assim já no sábado, 10, primeiro dia de vacinação para o novo grupo, a prefeitura anunciou que no domingo, 11, já não vacinaria ninguém. Motivo: faltou doses.

Ainda na sexta-feira, 9, o marketing aparecidense divulgou que a ampliação da faixa etária de vacinação foi possível a partir da chegada de 3,6 mil novas doses da Coronavac ainda no dia anterior. E apontou que a estimativa era vacinar todos os 6 mil idosos entre 62 e 64 anos do município. No entanto, não durou um dia. A prefeitura anunciou que para retomar a aplicação da Dose 1 nos drive-thrus, Aparecida aguarda nova remessa de doses.

A capital é mais cautelosa. Ainda vacina grupos a partir de 64 anos. Mas utilizou a nova remessa para a primeira dose em profissionais de saúde ainda não vacinados e para a segunda dose em idosos a partir de 74 anos. Garantir a segunda dose passou a ser essencial para que a imunização seja efetiva, já que os anticorpos são mais presentes a partir da dose de reforço.

Na semana passada, o próprio Butantan havia avisado que paralisou a produção por falta do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA). Novo carregamento deveria chegar ainda na sexta, mas foi postergado. O atraso da remessa foi provocado pela intensificação da campanha de vacinação na própria China. E o Brasil ainda não produz esse tipo de matéria-prima. Enquanto o país estiver à mercê de fabricantes externos, haverá dificuldade para o avanço a contento da vacinação. Pode-se argumentar que o governo federal, e a trapalhada do Ministério das Relações Exteriores sob a batuta de Ernesto Araújo, não se preparam para a vacinação em massa, mas é preciso que os munícipios, elo final da cadeia de imunização, trabalhem mais, com menos propaganda.

Doses aplicadas

De acordo com a Secretaria de Saúde de Aparecida, o município totalizou 59.274 vacinas aplicadas entre 1ª e 2ª dose, de 20 de janeiro a 05 de abril. Deste total, 43.974 são referentes à primeira dosagem e 15.300 referentes à segunda. 367 idosos e deficientes institucionalizados, 1.259 idosos acamados e com dificuldade de locomoção e 39.130 idosos com mais de 64 anos já foram vacinados, entre dose 1 e dose 2. Além disso, 17.810 vacinas já foram aplicadas em profissionais de saúde.

Na quinta-feira, 8, o município recebeu 3,6 mil doses do Ministério da Saude, por intermédio da Secretaria Estadual de Saúde, destinadas à primeira aplicação. Dessas, 2.200 foram utilizadas nos postos de vacinação em sistema drive thru; 1.080 para os profissionais de saúde que ainda vão receber o imunizante e 180 para os profissionais das forças de segurança e as demais foram disponibilizadas para a população com 62 ou mais no aplicativo Saúde Aparecida.

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