Coordenador do Observatório Covid-19 da Fiocruz, Carlos Machado, fala em necessidade de planejamento e investimento para garantia de segurança

Com a queda do número de mortes e transmissões de Covid-19 no Brasil, o Ministério da Saúde decretou o fim do estado de emergência de saúde no país. Apesar disso, especialistas da área garantem que a saída do momento de pandemia com segurança exige planejamento e investimento em ações de transições. Isso porque, segundo o Coordenador do Observatório Covid-19 da Fiocruz, Carlos Machado, a pandemia ainda não acabou. “Seus riscos continuam presentes, de modo que a transição para as próximas fases certamente deve vir acompanhada de planos de planejamento para as fases seguintes, possibilitando uma passagem segura e de adequação às novas realidades”, explica.

Para o especialista, além do conjunto de atos normativos e diretrizes estabelecidos, é preciso incluir outros cuidados que tratem os impactos diretos da pandemia como a covid longa. Dentro disso, ele avalia a necessidade de ampliar diagnósticos, tratamentos, reabilitações e hospitalizações que foram adiadas em função da pandemia deixando um passivo imenso para o SUS. Machado também alertaram para a manutenção das campanhas de vacinação, tanto para doses iniciais em crianças, como para doses de reforço na população, além do uso de máscaras em locais de aglomeração e pouca circulação de ar, como o transporte público, por exemplo.

Como parte do mesmo debate, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, defende que um dos principais legados da pandemia da Covid-19 seja o constante investimento em pesquisa. Como sustentação da afirmação, ela lembra da vacina da Oxford AstraZeneca, hoje totalmente nacionalizada. Além disso, a presidente também sugere descentralizar unidades de pesquisa e laboratórios e avançar em cooperações multinacionais que facilitem negociações para o enfretamento de eventuais novos problemas parecidos. “É uma das tônicas do nosso observatório a importância de fortalecer o sistema de saúde de proteção social. Creio que esse ponto é vital”, aponta.