Com dívidas de mais de R$ 130 milhões, TCI pede recuperação judicial

Construtora foi afetada pela queda nas vendas e inadimplência e teve que fazer pedido para se reestruturar. Obras em andamento serão concluídas e entregues normalmente

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Empresa não corre risco de ir à falência, garantem advogados responsáveis | Foto: Divulgação

A TCI Construtora, uma das maiores empresas do ramo imobiliário de Goiânia, entrou com um pedido de recuperação judicial para conseguir reestruturar a empresa, que passa por um período de dificuldades financeiras. Com dívidas da ordem de R$ 133 milhões, a construtora precisou fazer a solicitação da Justiça para conseguir honrar seus compromissos.

Afetada pela crise financeira, a empresa teve problemas em várias áreas. Além da queda nas vendas e da inadimplência, sofreu também com devoluções de apartamentos que já haviam sido financiados. Com os bancos cobrando juros altos e pedindo muitas garantias para financiamentos e empréstimos, muitos clientes tiveram que desistir dos imóveis.

Segundo os advogados responsáveis pelo processo, Alex Silva e Ricardo Bonifácio, a ideia é permitir que a empresa renegocie as dívidas e siga no mercado, lançando empreendimentos, gerando empregos e pagando impostos. Eles são firmes ao afirmar que a empresa não corre risco de ir à falência e que não fica “congelada”, ou seja, continua funcionando como de costume.

“A recuperação judicial tem por finalidade a função social da empresa, é para manter a empresa no mercado. É pra ela não fechar as portas, porque se isso acontece, deixa de gerar impostos, empregos”, pontua Alex. Isso significa que, além de precisar pagar suas dívidas, a TCI deve se manter ativa e continuar empreendendo.

Eles destacam que a empresa não está falindo ou em dificuldades insolúveis. Ricardo explica que, caso a Justiça não enxergasse possibilidade de reestruturação, nem sequer aceitaria o pedido. “Às vezes as pessoas fazem confusão e acham que a empresa tá quebrando. Não tem nada a ver, porque se a empresa estivesse, seria um procedimento de falência”, diz Alex.

“Pelo contrário. É uma empresa sólida, que tem ativos suficientes para pagar todas as dívidas, só faltou caixa para gerir”, argumenta. “A TCI tem um quadro de 2 mil funcionários, tem uma situação financeira que tem possibilidade de dar continuidade, então a Justiça dá um fôlego pra ela e permite que ela faça um acordo com seus credores para discutir os créditos e fazer um novo acordo”.

Com três obras em andamento na cidade, a TCI garante que os clientes que adquiriram apartamentos não terão problemas. Os empreendimentos são localizados nos setores Oeste e Universitário e um deles já está perto de ser concluído, com 90% da obra já realizada.

O pedido

O pedido já foi aceito pela Justiça no último dia 19 e, agora, a empresa deve reunir seus credores para apresentar a eles uma proposta de pagamento das dívidas. As contas em aberto até o registro do protocolo ficam congeladas e TCI passa a ter que submeter todos os seus gastos a um administrador judicial, cuja função é garantir o cumprimento do acordo estabelecido.

“A empresa tem que apresentar um balancete, quem entra, quem sai, o que foi gasto. Todo mês tem que ser emitido relatório para ser apresentado ao juiz”, conta Alex. Se descumprir algum dos termos, a responsabilização é penal, por crime de fraude. “Estamos sob o crivo do poder judiciário, existe a figura do administrador judicial, uma pessoa imparcial, nomeada pela Justiça para poder fiscalizar a atuação da empresa”.

Além de ser submetida à fiscalização do administrador judicial, a TCI também precisa garantir o acesso dos credores ao fluxo de caixa. Em dois anos, caso os termos do acordo estejam sendo cumpridos, o juiz encerra o período de recuperação judicial.

Uma resposta para “Com dívidas de mais de R$ 130 milhões, TCI pede recuperação judicial”

  1. Avatar HILARIO MARIO TONIDANDEL disse:

    OS VALORES RETIDOS DOS EMPREITEIROS POR OCASIÃO DO RECEBIMENTO DO TRABALHO REALIZADO, NORMALMENTE UM PERCENTUAL DE 6 A 10% PARA GARANTIR RECURSOS POR POSSÍVEL AÇÃO TRABALHISTA.. ESTE VALOR DEVE SER CONSIDERADO COM UM CRÉDITO E A EMPREITEIRA DEVE HABILITAR-SE , OU TRATA-SE DE UMA APROPRIAÇÃO INDÉBITA E DEVA SER DEVOLVIDO À EMPREITEIRA COMO SE FOSSE UM CRÉDITO QUIROGRAFÁRIO.

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