Com Câmara fragmentada, Haddad tem mais possibilidades de ter base sólida, diz especialista

Cientista político analisa que para Bolsonaro conseguir sustentação entre deputados, terá que descumprir promessa de campanha

As eleições do último dia 7 de outubro elegeu o Congresso mais fragmentado da história. Ao todo, 30 legendas terão representantes na Casa. Diante deste cenário, o cientista político Guilherme Carvalho analisou as possibilidades de governabilidade dos dois presidenciáveis que disputam o segundo turno das eleições.

Num primeiro cenário, onde foram analisadas coalizações compostas apenas por candidatos eleitos pela coligação dos presidenciáveis ou aqueles que já tem pré-disposição em compor por questões ideológicas, Haddad sairia na frente com 156 nomes contra 118 de Jair Bolsonaro.

Guilherme Carvalho, cientista político | Foto: Reprodução

“No caso do Bolsonaro, considerei partidos que, apesar de não estarem com ele no primeiro turno, como é o caso do PRB e do PSC, tem um alinhamento com a agenda religiosa. Então é bem provável que esses partidos se aliem a ele num futuro governo”, explica o especialista.

Já no caso de um governo petista, o cientista político considera como base partidos como PSB e PDT que tem posição mais esquerdista. “Apesar das divergências que estão havendo agora com o PDT é mais provável que ele seja base de Haddad do que oposição. Historicamente o partido já vem sendo aliado dos governos petistas”, esclarece.

Num segundo cenário, foi analisada a possibilidade de Jair Bolsonaro (PSL) descumprir aquilo que vem prometendo para o eleitorado: não fazer alianças que não sejam programáticas e aceitar o apoio do bloco chamado “centrão”.

Ainda nesse caso, Fernando Haddad (PT) teria mais facilidade de compor sua base de sustentação e de ter ao menos 308 deputados aliados.

“Nessa análise eu não considerei o MDB que pra mim é uma grande icógnita. Apesar da declaração do secretário de governo Carlos Marún de apoio ao Bolsonaro. Essa não foi uma declaração do partido, mas de uma vontade Michel Temer que hoje é quem dá as cartas dentro da sigla. Ainda assim, Bolsonaro aumentaria um pouco sua base mas continuaria atrás de Haddad”, analisa.

Para Guilherme, se eleito, Bolsonaro terá que descumprir a promessa de não se unir ao centrão para conseguir uma relação de estabilidade com o Congresso. “Ele depende do Congresso pra tudo. Se ele gerar uma relação de desconfiança, terá parlamentares que vão vigiá-lo com uma lupa muito maior caso decida tomar estratégias mais unilaterias, como as Medidas Provisórias”, finaliza.

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