Com aumento do desemprego, brasileiros buscam alternativas em trabalhos por aplicativo
01 junho 2019 às 14h48

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Grande parte dos trabalhadores autônomos começou após perder emprego de carteira assinada

Foram divulgados nesta semana, os dados do trimestre de fevereiro a abril de 2019, referentes ao desemprego no Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas sem trabalho no país chegou a 13,2 milhões. Paralelo a isto, outro estudo do Instituto revelou que, frente às dificuldades em se trabalhar com carteira assinada, 3,8 milhões de brasileiros têm a sua fonte de renda trabalhando em serviços por aplicativo, como Uber, Ifood e Rappi, por exemplo.
Esse é o caso do Kássio Vinicius José dos Santos, ele trabalha como Uber há dois anos e meio e conta que começou depois que perdeu o emprego. “Trabalhei mais de dois anos com carteira assinada e fui mandado embora bem na época da crise. Comecei a ouvir as pessoas falarem sobre a Uber e entrei”.
Para ele, trabalhar de forma autônoma precisa de muito foco: “Você não pode pensar, eu sou o meu patrão e vou trabalhar a hora que quiser, e hoje eu trabalho muito mais do que antes, minha carga horária é de 12h por dia”. Ele conta ainda, que, hoje, a quantidade de motoristas por aplicativo é maior do quando ele começou, e que grande parte entrou, assim como ele, após perder o emprego formal.
Questionado sobre a preferência entre trabalhar como autônomo ou com carteira assinada, Kássio afirmou que, apesar do retorno financeiro do trabalho com o aplicativo, não há segurança: “Pode ser que amanhã a Uber seja proibida aqui em Goiânia e eu tenha que parar, eu não posso fazer um compromisso maior, como financiar um carro, por exemplo”.
As relações de emprego têm mudado nos últimos anos, e a tecnologia contribui muito nesse sentido. Estima-se que nos próximos anos as atividades por aplicativo sejam ampliadas e essas novas formas de serviço gerem oportunidades de trabalho em formatos diferentes dos convencionais.