O comércio varejista goiano segue com poucas expectativas em relação as vendas, em 2026. As análises econômicas sugerem uma desaceleração no consumo e a persistência do atual cenário, de juros elevados e alto grau de endividamento das famílias. De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás (Sindilojas-GO) a situação é de prudência redobrada e de adaptação para lidar com consumidores mais seletivos e com menor poder de compra.

As projeções do mercado, refletidas no Boletim Focus, indicam que o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil deve crescer apenas 1,78% em 2026, uma desaceleração em relação aos 2,16% esperados para 2025. Apesar de um processo de flexibilização gradual, analistas projetam a taxa Selic fixada em 12% ao final deste ano. É um patamar de juros que, para o Sindilojas-GO, mantém o crédito caro, pressiona o capital de giro das empresas e desestimula compras de maior valor, impactando diretamente o faturamento do varejo.

O comércio varejista está preocupado também com a pressão sobre a renda real das famílias. Em Goiás, esse cenário de restrição financeira é evidente: o estado registrou um aumento de 8,10% no total de inadimplentes em novembro de 2025, na comparação com o mesmo mês de 2024, segundo dados do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito). No panorama nacional, mais de 76 milhões de brasileiros seguem endividados, o que limita a capacidade de compra da população.

De acordo com o presidente do Sindilojas-GO, José Reginaldo Garcia, os indicadores mostram uma economia em ritmo moderado, com o crédito ainda caro e o consumidor endividado. “Por isso, a palavra-chave é cautela; precisamos de um planejamento estratégico focado na inovação e, sobretudo, de uma condução fiscal responsável por parte do governo para que o dinamismo do nosso comércio seja preservado”, complementa.

Projeções do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) calculam que a entrada em vigor da reforma do Imposto de Renda, com isenção para salários até R$ 5 mil e redução de alíquota para rendas até R$ 7.350, pode injetar cerca de R$ 27 bilhões anuais na economia. Porém, a expectativa é que grande parte desse recurso seja absorvida pelo pagamento de dívidas.

Consumidores gastando menos nas compras

Diante deste panorama, o Sindilojas-GO analisa que o varejo conviverá com consumidores mais prudentes, o que deve levar a um encolhimento no valor médio das compras. Segmentos como moda, bens duráveis e serviços enfrentarão concorrência mais intensa e margens reduzidas, necessitando de estratégias diferenciadas para manter a relevância e o volume de vendas.

O Sindilojas-GO acredita que a saída para reverter o quadro de incerteza é a combinação de estabilidade macroeconômica com vigilância fiscal.

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