Após anos de problemas relacionados ao abastecimento de água, Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia, passará a contar, a partir de 15 de novembro, com 100% de cobertura de água tratada na área urbana pela Agência de Saneamento de Senador Canedo (Sanesc). Segundo o presidente da empresa, Fábio Ramos da Silva, conhecido como coronel Ramos, a expansão será concluída com a liberação do atendimento aos setores Residencial Aurora das Mansões e Recanto Solar das Auroras, os últimos que ainda não contavam com a oferta do serviço.

O avanço, conforme o gestor, é resultado de investimentos realizados pela administração municipal, em parceria com o Ministério Público, a Câmara Municipal e com recursos próprios da companhia. A ampliação da cobertura não significa que todos os imóveis já estejam conectados à rede, mas que o serviço estará disponível para os moradores interessados.

Além disso, coronel Ramos afirma que Senador Canedo atravessou o período de estiagem de 2026 sem enfrentar os problemas generalizados de abastecimento registrados em anos anteriores. Segundo ele, os reservatórios de água bruta e tratada permaneceram abastecidos, garantindo maior segurança ao sistema.

“Podemos dizer que, neste ano, Canedo não teve problema de desabastecimento de água. Estamos com os reservatórios cheios, tanto de água bruta quanto de água tratada. Utilizamos menos de 60% da nossa capacidade de reservação de água bruta e ainda temos em torno de 40% de água estocada”, destaca.

Ele explica que a cidade conta com quatro estações de tratamento e um poço artesiano. Historicamente, a unidade de Bonsucesso era a principal afetada pela estiagem, mas, segundo ele, os problemas foram resolvidos.

“Nós temos quatro estações de tratamento e um poço artesiano. Três estações e o poço não apresentam problemas e atendem mais de 70% da cidade. A de Bonsucesso, que atendia cerca de 30% ou menos e apresentava dificuldades, também teve o problema resolvido”, afirma.

Interligação de redes e ampliação de reservatórios

De acordo com o presidente, entre as principais medidas adotadas pela Sanesc estão a interligação de redes de distribuição, a construção e ampliação de adutoras e o aumento da capacidade de armazenamento de água.

Coronel Ramos explica que algumas estações apresentavam produção superior ao consumo, enquanto outras registravam demanda elevada e capacidade limitada. A solução encontrada foi realizar derivações e interligações para redistribuir a água entre diferentes regiões.

“Eu tinha uma estação que tinha muita água e pouco consumo, enquanto outra tinha pouca produção e alto consumo. Fizemos derivações entre elas e aumentamos a capacidade de distribuição. Também houve investimentos em adutoras e na ampliação de reservatórios de água bruta e tratada.”

O presidente da Sanesc afirma que as intervenções permitiram melhorar a distribuição e reduzir as dificuldades enfrentadas, principalmente nos bairros que dependiam das unidades com menor capacidade de produção.

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Fábio Ramos da Silva é o presidente da companhia | Foto: divulgação

R$ 80 milhões investidos

Segundo o presidente, aproximadamente R$ 80 milhões teriam sido investidos no sistema de abastecimento de água desde o início da gestão do prefeito Fernando Pellozo (União Brasil). Para os próximos dois anos, a previsão é de aproximadamente R$ 230 milhões em investimentos em abastecimento de água e esgotamento sanitário.

De acordo com o gestor, os recursos são provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de operações de crédito, com valores já assegurados para a execução dos projetos.

A expectativa é que, com os novos investimentos, sejam construídos três reservatórios, com capacidades de 10 milhões, 3 milhões e 1,5 milhão de litros, respectivamente. Outro projeto envolve a construção de um grande reservatório de água bruta na região do Terras Alpha, com o objetivo de aumentar a segurança hídrica diante do crescimento populacional e de possíveis períodos prolongados de estiagem.

“Temos uma previsão de aumentar em praticamente 40% a produção do Rio Sozinha para o próximo ano. Estamos pensando não só no hoje, mas no amanhã e muito à frente, para garantir tranquilidade hídrica à cidade pelos próximos anos.”

Também está prevista uma nova etapa de expansão do sistema de esgotamento sanitário. Segundo o presidente, as obras do loteamento Esgoto 3 já foram iniciadas, com investimentos estimados em R$ 48 milhões. Outra frente, denominada Esgoto 4, deverá atender regiões como Matinha, Oliveira e Alvorada, com investimentos de aproximadamente R$ 130 milhões.

O processo licitatório desta segunda etapa, conforme o gestor, já possui uma empresa vencedora, mas ainda depende da conclusão dos trâmites administrativos e da emissão da ordem de serviço.

15 ligações por dia e desafios no abastecimento

Coronel Ramos pontua que o crescimento urbano de Senador Canedo também representa um desafio para o planejamento do abastecimento. Diariamente, são realizadas, em média, 15 novas ligações de água, o que exige ampliação contínua da produção e da infraestrutura de distribuição.

“A cidade não para de crescer. São, em média, 15 ligações de água por dia. Não podemos descuidar, não podemos parar de investir. À medida que a cidade vai crescendo, vamos aumentando nossa produção e buscando novos meios para não acontecer o que acontecia no passado.”

Apesar dos avanços, ele reconhece que algumas residências da cidade ainda enfrentam dificuldades relacionadas à pressão da água. Segundo o gestor, parte das reclamações antigas de desabastecimento não estava necessariamente relacionada à ausência de água nos reservatórios, mas à pressão insuficiente para alcançar caixas-d’água instaladas em pontos mais elevados.

“No passado, tínhamos dois problemas que se transformavam em um só: falta de água e falta de pressão. Às vezes tinha água, mas o volume no reservatório era baixo e não dava pressão suficiente para chegar à residência. Hoje já resolvemos a questão do volume e estamos identificando os pontos onde ainda existe falta de pressão.”

Diante disso, as equipes da empresa têm trabalhado para identificar possíveis vazamentos, obstruções e necessidades de novas interligações, com base nas reclamações dos moradores.

“Hoje o problema é pontual, não é coletivo. Quando alguém reclama que faltou água na casa, nós vamos verificar. Pode ser um vazamento, uma rede entupida ou uma dificuldade de pressão. Estamos resolvendo problemas antigos, de anos, que não tinham sido solucionados.”

O presidente também considera desnecessária a transferência dos serviços da Sanesc para a Saneago, possibilidade que chegou a ser discutida em períodos anteriores, quando o município enfrentava problemas recorrentes de desabastecimento.

Segundo ele, os investimentos realizados nos últimos anos mudaram a realidade da companhia. O gestor citou a situação de regiões próximas à divisa com Bela Vista de Goiás para argumentar que Senador Canedo possui atualmente capacidade de produção suficiente para estudar futuras parcerias de fornecimento de água a localidades vizinhas.

“No passado recente, falaram em entregar a Sanesc para a Saneago, mas hoje a realidade é outra. Temos água sobrando em algumas regiões e já estamos sendo procurados para discutir uma parceria de fornecimento de água para áreas atendidas pela Saneago. Depois que eu resolver primeiro o problema de Canedo e tiver certeza hídrica, vamos estudar uma parceria com a Saneago para fornecer água a essas regiões. Hoje a empresa está ficando muito sólida, tanto na questão administrativa quanto na produção.”

Crescimento de 67% e tarifas mais baixas

O presidente afirmou que a Sanesc registrou crescimento de 67% em indicadores de produção e faturamento durante sua gestão. Ele também destacou que a companhia possui, segundo seu levantamento, uma das menores tarifas de água de Goiás.

De acordo com Ramos, apenas o município de Mineiros apresentaria tarifa inferior à de Senador Canedo, com diferença de dois centavos por metro cúbico. Em relação à Saneago, a tarifa local seria R$ 1,09 menor por metro cúbico.

“Canedo hoje está numa situação muito cômoda. A empresa está ficando muito sólida na questão administrativa e na produção. Acreditamos que, nos próximos um ou dois anos, ela se torne uma empresa de referência em saneamento básico”, destaca.

Para o próximo ano, estão previstos projetos de ampliação da automação do sistema de abastecimento. A iniciativa deverá permitir maior monitoramento dos níveis dos reservatórios e ajustes na distribuição entre diferentes regiões.

Segundo o presidente, a tecnologia poderá facilitar a identificação de quedas no volume de água e permitir o redirecionamento do abastecimento para localidades com maior demanda.

“No próximo ano, vamos trabalhar muito em automação para ter mais tranquilidade e acompanhar o tratamento. A ideia é não deixar ocorrer falta de água na cidade e fazer os remanejamentos necessários. Onde o nível baixar, mandamos água de outra região para suprir essa ausência.”

O gestor conta ainda que a empresa passou a ajustar a produção de água conforme a demanda registrada no município. Segundo ele, os reservatórios estavam operando com aproximadamente 75% da capacidade no momento da entrevista, com expectativa de alcançar entre 80% e 85% ao final do dia.

A companhia decidiu reduzir temporariamente a produção para evitar que os reservatórios atingissem a capacidade máxima, o que poderia exigir interrupções nas estações de tratamento e provocar pressão excessiva nas redes de distribuição.

“Eu reduzo a produção e mantenho os reservatórios entre 70% e 80%. À medida que percebo que o volume começa a baixar, aumento novamente a produção. Isso evita gastos desnecessários com energia e produtos, além de impedir pressão muito forte, que pode causar rompimentos na rede.”

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