Codese oferece acordo à Câmara e vereadores rejeitam influência do setor imobiliário

Após firmar convênio com a Prefeitura de Goiânia, conselho liderado por empresários deve enfrentar dificuldade em conseguir o apoio da Casa de leis

Renato Correia, presidente do Codese, discursou na tribuna livre da Câmara Municipal de Goiânia | Foto: Alberto Maia / Câmara Municipal Goiânia

Em posse do documento que firma convênio de cooperação com a Prefeitura de Goiânia, os integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Goiânia (Codese) foram à Câmara Municipal de Goiânia na manhã desta quarta-feira (22/3) em busca do apoio dos vereadores nos projetos que fazem parte do Plano Goiânia 2033.

Presidente do conselho, Renato Correa usou 10 minutos da tribuna livre para expor o teor do projeto e propor que o Poder Legislativo, a exemplo do Executivo, também assine acordo de cooperação com o Codese.

O possível acordo entre as duas partes, porém, deve enfrentar grande resistência dentro da Casa. Há meses, alguns vereadores já se posicionaram contra e tecem críticas ao grupo liderado por empresários do ramo imobiliário. No último dia 10, data de assinatura do Termo de Compromisso entre a Prefeitura de Goiânia e o Codese, apesar do convite encaminhado ao Legislativo, apenas quatro dos 35 vereadores compareceram à solenidade.

Em questão de ordem na manhã desta quarta (22), o vereador Zander Fabio (PEN), por exemplo, ressaltou que o setor imobiliário tem um histórico de desrespeito para com a Câmara, lembrando de casos de empresas que descumpriram as leis municipais.

“O Codese começou bem pelo fato de vir a essa Câmara, porque é aqui que as decisões são feitas, mas, com todo respeito, o histórico que temos com o setor imobiliário é uma tristeza, é um setor que não tem respeito com esta Casa. Não sei de onde vem esse altruísmo, mas ninguém trabalha de graça. Isso precisa ficar claro para a população”, disse o vereador.

O mesmo posicionamento tomou Elias Vaz (PSB), que lembrou do esquema de corrupção entre servidores da prefeitura e empresários do ramo imobiliário investigado pela CEI das Pastas Vazias. “Entendo e defendo que o empresário tenha direito de colocar suas posições, mas não podemos querer camuflar, falar que são exclusivamente técnicos e que defendem os interesses da sociedade. Sabemos que existem empresários bons e empresários ruins, mas eles representam apenas um segmento da sociedade. Dizer que o setor empresarial representa a sociedade é uma falácia”, explicou.

Em resposta, Renato Correia, do Codese ressaltou que as entidades do ramo imobiliário são minoria entre os associados e que também fazem parte do conselho, órgãos como Ordem dos Advogados do Brasil seccional Goiás, Universidade Federal de Goiás, Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás.

“O Codese é uma entidade sem fins lucrativos formada pela sociedade civil. São mais de 40 entidades, muitas delas que não fazem parte do setor empresarial. O nosso objetivo é abrir o diálogo com os poderes Legislativo e Executivo, para apresentar ideias e projetos viáveis para Goiânia até 2033, ano do centenário da capital. Queremos tirar a passividade do cidadão de somente votar nos parlamentares e também assumir a responsabilidade de participar das decisões”, disse Correia.

O presidente da Câmara, Andrey Azeredo (PMDB), disse que vê com bons olhos a proposta e afirmou que a mesma “será ouvida e discutida como qualquer solicitação que chega ao Legislativo”. “A visita à esta Casa foi importante para esclarecer quais os verdadeiros interesses do Codese e isso vai permitir que os estudos que apresentarão sejam analisados com mais inocuidade pelos vereadores”, disse em entrevista.

Sobre o teor do acordo que deve ser proposto à Câmara Municipal, o presidente do Codese, Renato Correia, afirmou que ainda não há um documento pronto, mas que o conselho pretende elaborar um “esqueleto” para ser discutido juntamente com os vereadores.

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