CNI faz solicitação a Temer que mude leis trabalhistas e previdência

Grupo do setor industrial apresentou ao possível próximo presidente Michel Temer (PMDB) 38 propostas para dois anos se o afastamento de Dilma se concretizar

Pauta empresarial, se for confirmado o afastamento de Dilma pelo Senado, inclui revisão das leis trabalhistas e previdenciárias | Foto: Wilson Dias/ABr

Pauta empresarial, se for confirmado o afastamento de Dilma pelo Senado, inclui revisão das leis trabalhistas e previdenciárias | Foto: Wilson Dias/ABr

De olho no governo do possível próximo presidente da República, representantes do setor industrial apresentaram nesta quarta-feira (27/4) uma pauta com 38 propostas para os próximos dois anos ao vice-presidente Michel Temer (PMDB) e sucessor direto da presidente Dilma Rousseff (PT) se o Senado a afastar na primeira votação em plenário do processo de impeachment.

Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), disse que a entidade defende mudanças nas leis trabalhistas, previdenciárias, na política de câmbio e na discussão das dívidas do setor empresarial, além de pedir a desburocratização na iniciativa privada ao governo.

O presidente da CNI afirmou que a possibilidade da saída de Dilma da presidência tem criado um cenário de melhora nos negócios no Brasil, mas que esse novo momento não virá sem alterações na economia que reaqueçam o setor industrial e empresarial.

“Essa discussão [do impeachment] tem trazido o ambiente de tranquilidade, confiança, esperança no brasileiro. Isso já é muito importante para que os investidores comecem a pensar em tirar seus investimentos e projetos da gaveta e colocar em cima da mesa. Agora, precisa de mudanças sérias, propostas adequadas e políticas públicas definidas.”

As confederações dos setores produtivos estão há mais de uma na discussão de alternativas para dar condições de melhorar o “ambiente dos negócios”, disse Andrade. “No caso da indústria, apresentamos 38 propostas para que o setor volte a ter participação importante no PIB brasileiro. Eles são referentes a oito temas, cada um deles relativo às questões tributária, trabalhista, Previdência Social, infraestrutura e burocracia. O vice-presidente recebeu bem as propostas.”

Leis trabalhistas

O presidente da CNI se posicionou favorável à aprovação de projeto de lei que regulamenta as terceirizações e a “valorização” de acordos sindicais entre funcionários e empregadores. “Só esses dois pontos resolveriam grandes questões existentes hoje nas relações de trabalho e que acumulam a Justiça Trabalhista de um grande número de processos”, declarou. Para Andrade, a “cota de sacrifício” é necessária de ser dada por trabalhadores, sindicatos e empresários para que o País volte a crescer e saia da crise econômica.

“Hoje, podemos pensar em si próprio e cada um querer fazer poucas mudanças e manter a situação como está. Mas, se mantendo essa situação, não vai dar a ninguém condições de, no futuro, ter trabalho, respeito, poder crescer, de ter lazer, emprego e uma vida confortável. É preciso que cada um dê uma cota de sacrifício. É preciso que as pessoas, as centrais sindicais deem uma cota de sacrifício.”

O presidente da CNI explicou o que ele chama de “cota de sacrifício”: “Saímos de um PIB em que tínhamos participação de 18% há quatro anos  para uma participação de 9%. Isso já é um sacrifício enorme que a indústria tem feito, mantendo um parque industrial ativo, competente, capaz de crescer, inovando, com desenvolvimento e tecnologia”.

“Previsibilidade cambial”

Já de olho em um governo federal comandado por Temer, os representantes do setor industrial e empresarial pediram ao peemedebista que adote políticas econômicas que estabeleçam uma “previsibilidade cambial”.

“Há a necessidade de uma política cambial estável para que o setor exportador possa fazer um preço, assinar um contrato, sair para vender seus produtos lá fora. Se hoje o dólar está a [R$] 4 e amanhã a [R$] 3,50, você não tem condições de fazer propostas.”

Andrade disse entender que o Banco Central tem mecanismos que podem manter a moeda estável e previsível em relação ao dólar, com um controle efetivo do mercado cambial pelo possível novo governo de Temer.

“Não estamos falando em controle cambial, mas existem políticas do Banco Central que podem fazer o câmbio mais estável e previsível. O que falta no Brasil é previsibilidade. O que estamos querendo é essa previsibilidade. Não estou dizendo que o câmbio tenha de ser [R$] 4 ou [R$] 3,50, mas precisamos de previsibilidade das políticas públicas”, pontuou. (Com informações da Agência Brasil)

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