CNBB pede proteção de Nossa Senhora Aparecida e um Brasil “reconciliado” no dia da eleição
04 outubro 2026 às 16h51

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Na manhã deste domingo, 4, enquanto milhões de brasileiros comparecem às urnas para escolher os próximos representantes do país, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou uma mensagem que combina fé e um apelo por pacificação no cenário político.
Em publicação nas redes sociais, a entidade pediu a proteção de Nossa Senhora Aparecida para o país e desejou que o Brasil consiga superar as divisões políticas e sociais após o processo eleitoral. “Confiamos nossa Pátria à proteção de Nossa Senhora Aparecida. Que Deus nos conceda sabedoria e coragem para construirmos juntos um Brasil reconciliado, soberano, justo e fraterno. #Eleições2026”, escreveu a CNBB.

A escolha da expressão “Brasil reconciliado” ocorre em uma eleição marcada por forte polarização entre os candidatos e por disputas que ultrapassaram o debate sobre propostas de governo e chegaram também ao campo religioso.
A mensagem foi publicada poucos dias depois de uma controvérsia envolvendo o nome do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida. O episódio ganhou repercussão nas redes sociais e chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), envolvendo decisões divergentes sobre a retirada de publicações relacionadas ao tema.
Disputa política chegou ao campo religioso
A controvérsia teve origem em declarações sobre uma suposta articulação para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A informação foi posteriormente corrigida, com o esclarecimento de que não existe atualmente no Congresso Nacional um projeto com esse objetivo nem uma mobilização organizada de evangélicos nesse sentido.
A origem da informação está relacionada a uma proposta apresentada em 2007 pelo então deputado Professor Victorio Galli. O texto pretendia substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O projeto, no entanto, foi arquivado em 2008.
Mesmo sem uma proposta atualmente em tramitação, o assunto voltou a circular durante a campanha eleitoral de 2026 e passou a ser utilizado em disputas políticas nas redes sociais.
Publicações associaram o episódio a Flávio Bolsonaro e a outros políticos de direita. O candidato negou qualquer relação com uma iniciativa para retirar o título da santa.
Caso chegou ao Supremo
A repercussão também provocou uma disputa judicial sobre os limites da liberdade de expressão durante a campanha eleitoral.
Em 25 de setembro, o ministro André Mendonça, do STF e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou liminarmente a remoção de publicações relacionadas ao episódio, entre elas uma postagem do humorista Antonio Tabet.
Posteriormente, o ministro Flávio Dino suspendeu os efeitos da decisão e permitiu o restabelecimento da publicação. Entre os argumentos apresentados, Dino destacou que o conteúdo não mencionava nominalmente Flávio Bolsonaro e ressaltou a proteção constitucional à liberdade de expressão.
A defesa do candidato recorreu da decisão e pediu a retomada dos efeitos da determinação de Mendonça. O caso foi encaminhado para análise do plenário do Supremo.
Tema já apareceu em outras eleições
A associação entre a família Bolsonaro e uma suposta tentativa de alterar o status de Nossa Senhora Aparecida não é nova.
Durante as eleições de 2018, quando Jair Bolsonaro disputou a Presidência pela primeira vez, também circulou nas redes sociais uma publicação afirmando que ele e o filho, Eduardo Bolsonaro, teriam assinado a proposta apresentada em 2007.
A informação foi desmentida à época. O projeto havia sido apresentado por Victorio Galli, que não tinha relação com os dois parlamentares. A proposta acabou arquivada em agosto de 2008.
Agora, oito anos depois, o tema voltou ao debate eleitoral, desta vez envolvendo Flávio Bolsonaro e em meio a uma disputa política ainda mais marcada pela influência das redes sociais.


