Até o momento, os valores não foram repassados aos 270 aprovados no edital. O prazo já foi adiado três vezes e até o momento não há nova data

O Fundo Estadual de Arte e Cultura continua como apenas uma promessa do governo de Goiás aos produtores e artistas. Até o momento o valor não foi repassado aos 270 aprovados no edital, sendo que o prazo já foi adiado pela terceira vez e até o momento não possui nova data. Em resposta, a classe artística elaborou uma carta aos responsáveis, que deve ser veiculado nas redes sociais em breve.

No conteúdo da carta, os artistas citam o não cumprimento da lei 15.633/2006, de improbidade administrativa. “Em reunião com o secretário de Cultura, Gilvane Felipe, no dia 23, obtivemos o retorno de que todos os projetos já haviam sido homologados (porém até o dia de hoje não foram publicados), e que o o repasse não havia sido feito pois a Secretaria estadual da Fazenda (Sefaz) alegou não ter recursos (informação que o próprio Secretário de Cultura confirmou horas mais tarde em entrevista)”, diz trecho da carta escrita pelo diretor da Cia. Oops de Teatro, João Bosco Amaral.

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Em entrevista ao Jornal Opção Online, o produtor da Oficina Cultural Gepetto, Marcos Amaral Lotufo, pede que o governo acredite mais nos artistas. Ele afirma que resolveu se retirar do projeto Ponto de Cultura, assim como a Feteg e Cia. de dança Quasar, para não colocar em risco sua credibilidade. “Estávamos com a esperança de receber a primeira parcela, e como não aconteceu tememos pela nossa credibilidade, pois trabalhamos com terceiros e com prazos estabelecidos”, disse.

Ele também citou um problema recente ocasionado por este atraso. “A Cia. de Teatro Farandula foi até a cidade de São Jorge, para participar do Encontro de Cultura, com dinheiro próprio, pois não havia recebido os valores do Fundo, gerando dívida que não será paga, de acordo com o edital” afirmou. O próximo passo da classe artística é uma manifestação chamada de “Cadê o Fundo de Cultura?”, já divulgada via Facebook.

O candidato ao governo de Goiás Antônio Gomide (PT) apoiou a causa por meio de sua página no Facebook. Ele lamentou a postura do governo em relação à cultura e citou o empréstimo solicitado ao Tribunal de Justiça, recentemente, pelo secretário da Fazenda, José Taveira. “Descasos como esse e ações como pedido de empréstimo ao Tribunal de Justiça e posterior recuo do Governo noticiado hoje demonstram a absoluta falta de planejamento do Governo  total desrespeito com os artistas”, declarou o candidato. Leia declaração na íntegra.

Secult x Sefaz

O titular da Secult, Gilvane Felipe, tem declarado à imprensa que a Secretaria de Cultura (Secult) cumpriu sua função quanto ao Fundo e agora cabe a Sefaz efetuar o repasse aos contemplados. Quando questionado sobre o assunto, José Taveira manifestou ao Jornal Opção Online não entender a postura do secretário. “Primeiro, manifesto minha estranheza pelas declarações do secretário, porque ontem combinamos que ele iria enviar um cronograma para que o valor seja disponibilizado parceladamente até o final do ano. Isso foi combinado por celular, na tarde de ontem”, afirmou.

Mas o Secretário de Cultura, Gilvane Felipe, manteve sua posição. “Nós fizemos todas as partes que nos cabiam. Falta a última etapa, que é o pagamento, que é responsabilidade da Sefaz”, declarou.