O partido Cidadania formalizou uma notícia-crime junto ao Ministério Público Federal (MPF) para apurar suposta corrupção envolvendo cassação de chapas de vereadores de Goiânia. Em pouco mais de um ano, quase um quarto dos vereadores de Goiânia foi cassado por fraude na cota de gênero ou infidelidade partidária. O documento, assinado pelo presidente da sigla Gilvane Felipe, se baseia em um áudio atribuído a um assessor de Igor Franco (Solidariedade) que revelaria um pagamento de R$ 1 milhão por decisões envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).

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No pedido de apuração, o partido aponta que o áudio “sugere ter havido corrupção na cassação da chapa do Cidadania”. A cassação em questão tirou do partido os mandatos dos vereadores Marlon Teixeira e Professor Márcio Carvalho.

No áudio que foi divulgado durante sessão plenária pelo vereador Pastor Wilson (PMB), o suposto assessor de Igor Franco diz que o parlamentar teria ido “no STF e foi um ‘pauzinho’, um milhão que ele pagou lá”.

Na época da divulgação do áudio, o vereador Igor Franco chamou o ocorrido de “lastimável episódio de acusações levianas”. Veja a nota na íntegra ao final da matéria.

Veja a transcrição do áudio abaixo:

[…] Ela me falou hoje o que o Igor (Franco) vai lá hoje pessoalmente no prefeito resolver coisa de novo. Veio pra ver o que aconteceu e pra ver o que está pegando. Aí, segundo ele [Franco], vai forçar a barra com o prefeito lá e se for preciso, ele vai agilizar mais rápido ainda a cassação de alguns vereadores que estão atrapalhando ele. Dinheiro ele tem, aliás a família dele tem dinheiro demais. Só nessa aí de derrubar o Bruno [Diniz] mais… Na verdade, foi o último, o Marlon [Teixeira] mais o Professor Márcio, foi lá no STF e foi um ‘pauzinho’, um milhão que ele pagou lá, só para você ter uma ideia

Transcrição do áudio atribuído a assessor de Igor Franco

Queda de Marlon garantiu mandato de Franco

Para entender a chegada de Igor Franco na Câmara, é preciso voltar nas primeiras diplomações canceladas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO). Os primeiros, Santana Gomes e Bruno Diniz, ambos do PRTB, perderam o mandato por suposto descumprimento da cota de gênero. Com a chapa inteira sendo cassada, foi preciso refazer a contagem de votos para estabelecimento da quociente eleitoral.

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Com a queda dos dois, assumiram Paulo Magalhães (UB) e Márcio Carvalho dos Santos (Cidadania). Três meses depois de assumir o cargo, porém, o Cidadania também foi condenado por candidaturas femininas ‘laranjas’. Nessa leva, caiu também o vereador Marlon Teixeira.

Os dois foram substituídos por Welton Lemos (Podemos) e Igor Franco – à época no Pros, mas que foi incorporado pelo Solidariedade. Mesmo Igor Franco também foi alvo de processo na Justiça pois, quando assumiu o mandato, estava filiado ao PRTB, partido que também teve a chapa cassada.

Em nota, Igor Franco declarou o que segue:

“Tendo em conta o lastimável episódio de acusações levianas ocorridos hoje na Câmara Municipal de Goiânia, nos importa esclarecer o que segue.

Assim como vem ocorrendo em todo país, inúmeras chapas vêm sendo cassadas pelo TSE por fraude à cota do gênero feminino.

Um candidato, advindo de uma chapa fraudada, ou seja, que não foi eleito legitimamente, na tentativa tosca, infeliz e atabalhoada de intimidar Juízes do Tribunal Superior Eleitoral – TSE, apresentou um áudio do ano passado de um servidor efetivo da Prefeitura de Goiânia onde o mesmo faz ilações inverídicas e levianas de que este Vereador pagaria um milhão por cada cassação desta Câmara junto ao TSE.

Tal acusação requentada, lastreada em áudio do ano passado, referindo-se inclusive à Decisão de cassação do Partido Cidadania pelo Ministro aposentado Ricardo Lewandowisk, revela-se tosca por sua própria essência.

Tal conduta manifesta tão somente o desespero e despreparo daquele que está fazendo hora extra na Câmara Municipal de Goiânia e intentando um matreiro e infrutífero plano de tentar intimidar a Justiça Eleitoral.

Deste modo, registro meu profundo repúdio e reproche a tal prática leviana deste indivíduo que nem sequer eleito foi o qual intenta em intimidar o TSE e seus Membros a não seguir corrigindo as fraudes perpetradas na linha de sua pacífica jurisprudência.”

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