Em depoimento à policia goiana, suspeitos negaram versão de que valor apreendido em Goiás serviria para a campanha eleitoral. Carlos Gaguim, aliado de Marcelo Miranda, confirmou que esqueceu o material de campanha na aeronave 

Foi solto nesse domingo (21/9) da Unidade Prisional de Piracanjuba Douglas Alencar Shmitt, de 39 anos, suspeito de ser o chefe da organização criminosa suspeita de transportar R$ 504 mil e cerca de quatro quilos de material de campanha do candidato ao governo do Tocantins Marcelo Miranda (PMDB). Em entrevista ao Jornal Opção Online nesta segunda-feira (22), o delegado regional de Itumbiara, Ricardo Chueire, afirmou que a soltura do suspeito já era esperada. “Nos causaria estranheza se ele e os outros três integrantes do grupo não fossem soltos. No Brasil, infelizmente este tipo de crime é afiançável”, lamentou.

O inquérito será concluído pela Delegacia Regional de Itumbiara e ao ser finalizado será encaminhado a Procuradoria Regional Eleitoral de Tocantins e o Ministério Público Federal (MPF). Ainda de acordo com o delegado, o próximo passo será analisar as contas bancárias dos envolvidos. “Tudo isso leva tempo, mas já solicitamos à Justiça a quebra de sigilo bancário dos suspeitos”, disse.

Após serem presos, os suspeitos disseram à polícia que o dinheiro aprendido seria destinado à campanha eleitoral do governadoriável peemedebista. No entanto, ao lado do advogado, eles mudaram de versão e alegaram que o montante apreendido seria fruto de um empréstimo feito por Douglas Shmitt na capital federal. Os suspeitos disseram ainda que o piracanjubense Lucas Marinho Araújo, de 22 anos, seria o laranja e teria cedido sua conta bancária para receber a quantia e assim lavar o dinheiro.

O caso ganhou repercussão nacional e a assessoria do candidato Marcelo Miranda contestou as denúncias e classificou o ato como “golpe baixo contra a democracia” e que a “sede pelo poder não tem limites”. Pessoas ligadas diretamente ao candidato pela coligação “A Experiência faz a Mudança” afirmaram que o episódio não passou de “um golpe baixo” por parte dos opositores e que estranharam o fato de o grupo detido transportar uma quantidade ínfima de material de campanha.

Armação?

Pesquisa Serpes sobre o cenário eleitoral de Tocantins divulgada na última quarta-feira (17) apresentou o peemedebista Marcelo Miranda com 48,4% das intenções de voto, seguido por Sandoval Cardoso (SD) com 34,1%. Com este percentual, Marcelo Miranda poderia até vencer a disputa no primeiro turno, já que a margem de erro foi de 3,46%, para mais ou para menos.

O programa eleitoral do peemedebista da última sexta-feira (19) comparou o caso do avião com acusações que oposicionistas fizeram contra o ex-governador Carlos Henrique Gaguim (PMDB) nas eleições de 2010. Naquele ano, Gaguim liderava as pesquisas eleitorais, assim como Marcelo Miranda atualmente, e a menos de duas semanas para o pleito eleitoral, opositores acusaram Gaguim de participar de um suposto esquema de fraudes em licitações. “Nada foi provado até hoje. Mas a denúncia foi na reta final e o peemedebista perdeu a eleição para Siqueira Campos”, afirmou o jornalista Rogério Silva no programa de televisão da coligação  “A Experiência faz a Mudança”.

Carlos Gaguim, que busca uma vaga na Câmara do Deputados, disse à imprensa que utilizou há cerca 15 dias o avião bi-motor apreendido em terras goianas e confirmou que deixou os santinhos no avião. “Eu usei esse avião e devo ter esquecido esse material lá, mas esse material não dá uma caixinha. Quando se faz campanhas no interior leva-se no avião caixas e caixas de material. Os santinhos apreendidos não dão uma caixa de sapatos”, concluiu.