“Chapéu de cowboy e megaigrejas”: revista dos EUA descreve influência de Goiás na eleição de Bolsonaro

A publicação se refere ao estado de Goiás como integrante do chamado “interiorzão”, uma região de grandes igrejas evangélicas e forte cultura rural

A Foreign Affairs é publicada pelo Council on Foreign Relations | Foto: Reprodução/Foreign Affairs

Goiás tem uma população estimada em pouco mais de 7 milhões de habitantes, conforme o senso de 2019. Integrante da Região Centro-Oeste, o estado, que dispõe de uma cultura rica e cheia de peculiaridades, paisagens de arrancar suspiros e uma história de respeito, não conta com a força do turismo do Rio de Janeiro e nem o peso comercial de São Paulo, mas na avaliação de especialistas lá fora, foi determinante no fenômeno cultural e geográfico que viabilizou a eleição do atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Em um artigo intitulado Messiah Complex: How Brazil made Bolsonaro (algo como Complexo de Messias: Como o Brasil fez Bolsonaro)  publicado nesta semana pela norte-americana Foreign Affairs, uma das mais respeitadas e proeminentes publicações científicas da área de Relações Internacionais e mantida pelo Council on Foreign Relations (Conselho de Relações Exteriores), o estado de Goiás é descrito como uma terra de grandes igrejas evangélicas e cultura rural, além de um integrante de peso do chamado “interiorzão”, que, segundo a publicação, “se refere a um cinturão de terra que se estende ao redor do meio geográfico do país, desde o estado de Mato Grosso do Sul, no Oeste, até Goiás, Minas Gerais e partes da Bahia, no leste”.

Para a revista, o “interiorzão” é um Brasil “de fazendas de soja e de gado, picapes Ford enormes, shoppings com ar-condicionado e churrascarias à vontade […]”. “Em vez de sincretismo afro-católico e bossa nova, apresenta grandes igrejas evangélicas e sertanejo, uma espécie de música country tropicalizada cantada por homens de peito largo com chapéus de cowboy e jeans de fazendeiro”, descreve a revista. Segundo o artigo, foi justamente esse contexto sociocultural típico que teria sido decisivo para que Bolsonaro chegasse ao Planalto.

O artigo destaca que é no ‘interiorzão” que o presidente tem o apoio mais forte e intenso. Enquanto, segundo a revista, o presidente é visto “com uma mistura de incompreensão e horror pelo resto do mundo”, em Goiás e nos estados do derredor ele manteve um índice de aprovação interna estável de cerca de 40%.

“Nas pesquisas nacionais, suas avaliações negativas têm aumentado constantemente. Mas em cidades do interior, como Cuiabá e Goiânia, e em cidades menores, como Barretos, onde o presidente cavalgou no rodeio no ano passado, o fervor pelo homem que chamam de “o Messias” (Messias, que é o verdadeiro de Bolsonaro nome do meio, acredite ou não) continua a crescer”, diz a revista.

Bolsonaro é “invenção brasileira” que reflete conservadorismo do país

O artigo da Foreign Affairs brinca com o comparativo que usualmente é feito entre Bolsonaro e o presidente dos EUA, Donald Trump. Todavia, a revista é enfática: “não se engane, Bolsonaro é uma invenção brasileira”.

De acordo com a publicação, Bolsonaro “é produto da crise econômica e política singularmente terrível que o país enfrentou na última década e, tão importante quanto, da longa tradição do Brasil de ser governado por homens brancos conservadores de origem militar”. Porém, o presidente acaba sendo, de acordo com a análise da revista, o reflexo mais fiel da ala conservadora do Brasil.

“O Brasil progressista que o mundo estava acostumado a ver, o Brasil do samba e do carnaval, ainda existe; não desapareceu. Mas o Brasil de 2020 é mais parecido com seu presidente do que muitos gostariam de admitir”, arremata.

 

 

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