O vereador Rimet Jules (PT), presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Anápolis, destacou a necessidade de inserir o Cerrado no centro das discussões climáticas globais após sua participação na COP30, realizada pela primeira vez no Brasil. De acordo com o parlamentar, embora o bioma tenha aparecido em alguns painéis, ainda foi “escanteado” diante da centralidade atribuída à Amazônia e às florestas tropicais.

A ida à Conferência do Clima foi tratada por Rimet como estratégica para fortalecer a agenda ambiental local. Ele lembrou que a Comissão de Meio Ambiente da Câmara de Anápolis foi criada nesta legislatura por reivindicação dele e que a proximidade geográfica do evento justificava a presença do município.

“Anápolis é uma cidade importante no cenário regional e nacional. Goiás é o berço de um dos maiores biomas do país e tem sofrido com agressões recorrentes ao Cerrado. Estar na COP fazia todo sentido para representar essa realidade”, afirmou.

Durante a conferência, o vereador participou da cúpula de líderes e de painéis sobre temas práticos relacionados à sustentabilidade urbana. Entre eles, destacou o debate sobre soluções tecnológicas para melhorar o translado de pacientes do SUS — especialmente em deslocamentos longos para consultas especializadas.

Outro ponto considerado essencial foram as discussões com o Conselho Federal de Arquitetura e Urbanismo (CAU-BR), que apresentou estudos e propostas para o planejamento urbano sustentável. Esse material, segundo Rimet, será relevante para a revisão do Plano Diretor de Anápolis, prevista para ser concluída até 2026.

Para o parlamentar, o principal alerta vindo da COP30 é a necessidade de reposicionar o Cerrado no debate climático global. Ele afirma ter presenciado iniciativas pontuais, mas insuficientes.

“Existe participação, existem painéis, mas faltou aprofundamento. O Cerrado é o berço das águas. Não adianta falar de florestas sem falar de água, de saneamento, de saúde pública”, disse.

Rimet acrescenta que muitas delegações internacionais desconhecem o centro do Brasil e o papel estratégico do bioma para o equilíbrio hídrico nacional. “Muitas pessoas conhecem o Brasil e a Amazônia, mas não conhecem o Cerrado. Nossa missão é despertar esse olhar.”

O que Anápolis deve incorporar da COP30

O vereador afirma que pretende apresentar às comissões técnicas e aos demais parlamentares as soluções ambientais já testadas em grandes cidades brasileiras e estrangeiras. A intenção é adaptar essas práticas à realidade de Anápolis, especialmente no planejamento urbano e nas políticas de mobilidade, meio ambiente e saúde pública.

“Queremos levar para Goiás e Anápolis as soluções mais contemporâneas, que já estão sendo aplicadas em outras cidades do mundo”, afirmou.

Vereador de Anápolis e a ministra do Meio Ambiente Marina Silva | Foto: Arquivo pessoal

Além dos debates técnicos, Rimet destaca a articulação política realizada durante o evento. Ele manteve contato com autoridades brasileiras, como a ministra Marina Silva e o senador Jader Barbalho, o que, segundo ele, contribui para inserir Anápolis no radar das discussões ambientais nacionais.

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