Cerol: mistura perigosa matou seis pessoas nos últimos quatro anos em Goiânia

Desde 2010 a brincadeira nada inocente fez dezenas de vítimas. Campanha de conscientização da prefeitura de Goiânia diminuiu a incidência de casos em 2014. No ano passado houve 535 denúncias contra 327 deste ano

pipa

Cerol: brincadeira nada saudável

Usado com a intenção de tornar a brincadeira de soltar pipa mais competitiva entre os adeptos, o cerol – mistura de cola e vidro moído – se mostrou perigosa com o tempo. Nesta sexta-feira (15/8), a Guarda Civil Metropolitana de Goiânia (GCM) encerrou a campanha “Pipa Sem Cerol”, que ficou marcada pela queda de quase 40% no número das denúncias do uso da mistura, comparados com o mesmo período do ano passado.

Nas férias escolares os registros e as denuncias de cerol nas linhas das pipas crescem. No entanto, neste ano, com a iniciativa “Pipa Sem Cerol, Brincadeira Consciente”, a prefeitura de Goiânia visitou diversos setores e Centros de Referência de Assistência Social (Cras), para alertar sobre os riscos da brincadeira – nem um pouco inocente. Nos encontros, os responsáveis pela campanha advertiam, por meio de palestras, sobre o uso da mistura, além de apresentar peças teatrais e realizar torneios de pipas. De janeiro até a metade de agosto deste ano a Guarda Civil registrou 327 denúncias do uso de cerol, contra 535 do mesmo período de 2013.

De acordo com o comandante da Guarda Civil, Elton Magalhães, o trabalho foi efetivado por meio de parcerias com algumas pastas municipais como a de Educação, de Juventude, Esporte e Lazer, de Assistência Social e de Trânsito. “Todos contribuíram de alguma forma para a execução dos trabalhos desenvolvidos na campanha”, ressaltou.

Casos na capital

Segundo os dados da campanha, desde 2010, quando ela foi criada, os números de vítimas da linha com cerol, que pode ferir pedestres e motociclistas, diminuiu. Em 2010 a mistura perigosa fez 47 vítimas e matou quatro pessoas. No ano seguinte, a Guarda Civil registrou uma vítima fatal. Já em 2012, nenhuma morte foi registrada. No ano passado, o órgão registrou alguns casos de acidentes e uma pessoa morreu, na região Oeste da capital, vítima do cerol.

Ícaro e Gleice se casaram três meses antes do acidente fatal

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Em 2013 a pessoa que morreu por conta do cerol foi a arte-finalista Gleice Evelin de Melo Galvão, de 20 anos, no Setor Parque Paraíso. Enquanto saia de moto com seu esposo a mulher foi atingida pela linha de cerol de um grupo de adolescentes e adultos que soltavam pipas em um terreno próximo. Segundo o marido, o socorro demorou a chegar e a vítima morreu ainda no local.

Agora, mesmo com o fim da campanha, o trabalho de fiscalização deve continuar durante agosto e setembro, que são os de maior ventania, tempo propício para soltar pipas. “Temos sete regionais distribuídas em toda Goiânia para facilitar o trabalho de averiguação das denúncias feitas pelo telefone 156”, finalizou.

Criação de “pipódromos”

Um projeto, que tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) da Assembleia Legislativa de Goiás pretende criar “pipódromos” no Estado, ou seja, implantar locais destinados exclusivamente para crianças e jovens “soltarem” pipas, seguindo as diretrizes de segurança e responsabilidade propostas pela Associação Brasileira de Pipa (ABP). A matéria é de autoria do deputado estadual Humberto Aidar (PT).

“A presente proposta visa conscientizar a população acerca dos perigos do uso do cerol na confecção de pipas, e, ao mesmo tempo, a criação de locais destinados para a soltura das mesmas”, justifica Humberto Aidar.

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