Cerca de 60 famílias continuam sem abrigo após desocupação no Parque Atheneu

Ocupantes que não tinham familiares na capital acabaram ficando no Parque Carmo Bernardes, onde dizem não poder armar tendas ou barracas

Semas propôs levar parte dos moradores para uma casa de apoio, porém eles decidiram permanecer na região | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Com a desocupação feita pela Prefeitura de Goiânia de uma área pública no Setor Parque Atheneu nesta terça-feira (10/1), aproximadamente 140 famílias tiveram suas casas demolidas e incendiadas. As pessoas que tinham para onde ir, em sua maioria casa de familiares, saíram do local, mas cerca de 60 famílias ainda permanecem na região.

Segundo Natália de Oliveira, uma das ocupantes, durante a tarde desta quarta-feira (11) assistentes sociais da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) estiveram com as famílias para tentar decidir o que fazer. A proposta de quem ficou desalojado era de irem para um ginásio da região, o que não foi aprovado pela pasta. Já a Semas sugeriu de levar algumas das famílias para uma casa de apoio, mas como nem todos poderiam ser abrigados, eles resolveram permanecer no Parque Carmo Bernardes, em frente à antiga ocupação.

Natália relatou que as pessoas que ficaram desalojadas não podem voltar para a área desocupada, já que há guardas vigiando o local para evitar uma reocupação. As famílias decidiram, então, ficar no parque. Lá, eles não podem armar barracas ou qualquer tipo de tendas e, portanto, devem passar a noite apenas com alguns colchões. Ela disse, ainda, que eles não sabem se receberão algum tipo de apoio da Prefeitura até a quinta-feira (12), quando deve ocorrer outra reunião com a Semas.

No início da tarde desta quarta (11), a Semas havia informado ao Jornal Opção que na terça (10) uma equipe técnica composta por dois assistentes sociais, a gerência dos Conselhos Tutelares da Semas e dois conselheiros tutelares da região Leste esteve no local prestando serviços e fazendo levantamento dos ocupantes para encaminhamento para as unidades de acolhimento municipais e ou conveniadas. Nenhuma das 143 famílias cadastradas, entretanto, chegou a ir para uma dessas unidades.

Questionada sobre quais seriam as próximas ações da pasta, a Semas informou que “todas as demais ações são de responsabilidade e execução da Secretaria de Planejamento e Habitação [Seplanh]”.

Procurada, a Seplanh afirmou que “cumpriu a desobstrução que foi acompanhada pela Semas” e que o levantamento e encaminhamento das famílias era de responsabilidade da assistência social. A Secretaria também confirmou que a área está sendo monitorada “para evitar que as famílias voltem”.

A reportagem tentou entrar em contato novamente com a Semas após o encontro realizado com os moradores que permanecem no parque na tarde desta quarta-feira (11), mas não foi atendida.

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