Atualmente, taxa de infecção na capital é 14%, de acordo com dados da Prefeitura. Embora seja alto o índice, ainda não é seguro suficiente para se sair às ruas sem risco de contaminação

Com taxa de infecção em 14% em Goiânia, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afirmou que os índices estão altos na capital. No entanto, os números ainda não indicam sequer uma proximidade com o que os estudiosos chamam de imunidade de rebanho.

“A imunidade de rebanho funciona assim, você vai sair à rua e tantas pessoas já foram infectadas que dificilmente uma pessoa infectada vai conseguir transmitir para outra, porque ela dificilmente vai se encontrar com essa outra que ainda não está infectada”, explica José Alexandre Felizola Filho, do grupo de estudos da Covid da Universidade Federal de Goiás (UFG).

“14% não é um número próximo ao que se chama de imunidade de rebanho. Imunidade rebanho é um conceito teórico, mais usado no contexto da injeção e para Covid ela fica em torno de 60%, se todas as pessoas forem suscetíveis. O problema é que a gente não sabe exatamente quantas pessoas da população são suscetíveis”, informou.

No entanto, isso não significa que as transmissões estejam abaixo do esperado. “É alto para casos. São quase 200 mil pessoas contaminadas, mas é relativamente baixo em termos de imunidade rebanho. Não dá para sair na rua [sem ser contaminado]”, esclarece.

Cenário

De acordo com a página da Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO), o número de óbitos registrados em Goiás até o momento é 2.336. De acordo com a última nota técnica, essa quantidade de mortes indicaria o melhor dos cenários. Mas não é bem assim que funciona na prática, já que os números apontados na plataforma são reflexos do passado.

“Esse é o número reportado. O do modelo seria o número real, o que aconteceria de fato naquele período. O que a gente percebe é que a gente atrasa muitos dias até chegar em torno dos números reais e olhe lá. A gente leva 15 dias para chegar próximo dos registros. Na realidade, se hoje se fala em 2.200, o cartório de registro civil vai ter 2.700 e ainda dizem não ser muito confiável, que precisa de 15 dias para atualizar ainda os dados”, diz o pesquisador.

“Os óbitos são bem maiores que isso, a gente não sabe quanto, mas não é menos que 25%. Estaríamos hoje chegando em três mil óbitos, se o padrão estiver se mantendo”, aponta.

De acordo com José Alexandre, Goiás, na realidade, está mais próximo do cenário verde e em transição para o laranja. “O isolamento conseguiu segurar um pouco. Embora in loco o isolamento não tenha mudado muito, o comércio demorou a reabrir, o índice de agregação das pessoas não foi muito alto, continua como estava. Várias prefeituras adotaram o 14×14, embora tenham voltado atrás. Tudo isso tem efeito para o número de transmissões não aumentar como no cenário vermelho”, avaliou.