Cerca de 2/3 dos estudantes das IFES vieram de escolas públicas, revela pesquisa

Mais do que duplicou o número de estudantes preto(as) quilombolas. O número, que era de 4.231 alunos em 2014, saltou para 10.747 em 2018

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Foi divulgada, na manhã desta sexta-feira, 17, a V Pesquisa do Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação das Universidades Federais. Os dados levantados para a pesquisa foram coletados entre fevereiro e junho do ano passado.

O levantamento, que registrou 424.128 questionários validados, ou seja, aproximadamente 35,34% dos discentes, revela que cerca de 2/3 de estudantes das IFES vieram do ensino médio público. 64,7%  deles estudaram integralmente, ou na maior parte do tempo, em escolas públicas de ensino médio, enquanto 35,3% vieram do ensino particular.

O estudo mostra ainda que mais de 60% dos estudantes das IFES tem sua trajetória exclusivamente em escolas públicas de ensino médio desde 2014.

Em 2005, 96,9% dos alunos ingressaram nas universidades por ampla concorrência, ao passo que apenas 3,1% ingressaram pelo sistema de cotas. Até 2018, o cenário mudou: 51,7% ingressaram por ampla concorrência enquanto 48,3% via cotas.

Também foi revelado que a maioria absoluta dos estudantes vem de família em que, nem o pai, nem a mãe, ou quem os criou, tiveram acesso ao ensino superior.

Nas últimas duas pesquisas, segundo o levantamento, o público com até meio salário mínimo passou a ter uma representação mais significativa nas universidades. Veja o gráfico: 

Imagem: Reprodução

O estudo conclui, ainda, que a população das IFES ainda é menos negra do que a população brasileira quando comparados os dados levantados pela V Pesquisa com os dados da PNAD-C (2018). Os números mostram que 51,2% dos estudantes são negros enquanto a população negra no País equivale a 60,6%.

Em uma margem de 15 anos, o estudo mostrou que as ações afirmativas elevaram o número de estudantes pretos(as) e pardo(as) de 160.527 para 613.826. A variação foi de 282%.

Mais do que duplicou o número de estudantes preto(as) quilombolas. O número, que era de 4.231 alunos em 2014, saltou para 10.747 em 2018. O número de indígenas aldeados também sofreu variação significativa, haja vista que o último levantamento aponta para 4.672 estudantes nessas condições, enquanto, em 2014, o número era de 2.329. Ou seja, o resultado mais que dobrou.

54,6% dos graduandos, segundo a pesquisa, são do sexo feminino enquanto 45,1% são do sexo masculino. 0,3% aparecem como “sem declaração”. 

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