Centro de tecnologia se instala em Goiás com foco em modernizar indústria da moda

Com sede no Rio, Cetiqt irá  disponibilizar cursos, consultoria, tecnologia, pesquisas de mercado, desenvolvimento de coleções e processos de produção. Investimentos em laboratórios na Faculdade Senai Ítalo Bologna somam R$1,5 milhão

Evento de inauguração do polo Cetiqt na Faculdade Senai Ítalo Bologna, em Goiânia / Foto: Assessoria

O Senai completa, em Goiás, 68 anos. A unidade localizada no setor Centro-Oeste, a Faculdade Senai Ítalo Bologna, faz seu 52º aniversário e recebe de presente a ampliação da sua capacidade de atendimento, com um braço do Senai Cetiqt, cuja sede fica no Rio de Janeiro. O Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil (Cetiqt) passa ter um polo em Goiânia, que irá atender aos donos de indústrias do âmbito da moda no estado, na disponibilização de cursos, consultoria, tecnologia, pesquisas de mercado, desenvolvimento de coleções e processos de produção.

Com isso, a iniciativa quer, não apenas impulsionar a indústria da moda goiana, mas dar uma identidade, uma personalidade para além do ramo “modinha”. O Senai Ítalo Bologna já atua há 30 anos no ramo de confecção, com o polo, o intuito é agregar tecnologia ao mercado. “Hoje o mercado goiano está muito focado em cima de modinha. Tem o perigo de criarmos um polo de distribuição e não um polo de criação. A ideia de trazer o Senai Cetqt para cá é, também agregar tecnologia nas empresas que produzem aqui, melhorar os processos para se tenha melhor produtividade e, ao mesmo tempo trazer a criação de moda, e não a cópia de moda que se vê no mercado. Incentivar a moda com a identidade goiana”, afirmou o diretor da unidade, Dario Queija.

De acordo com ele, duas mil empresas já são potenciais parceiras da iniciativa que teve um investimento de R$1,5 milhão para sua implantação em Goiânia. O resultado disso é a construção do Goiás Fashion Senai Lab, que está estruturado dentro da própria faculdade. Ele contará com laboratório de criação, espaço de prototipagem, produção lean, experiência em consumo de moda, espaço de convivência central (coworking e treinamento).

O diretor-executivo do Cetiqt, Sérgio Motta, explica que a partir da criação, passa a ofertar todo o portfólio do centro de tecnologia, em consultoria, ensaios e pesquisas. Desta forma, os empresário do ramo não precisam mais buscar os conhecimentos em estados como Rio e São Paulo. “O setor precisa de uma diferenciação de mercado para se posicionar com uma identidade centro-oeste, trazendo um aumento do marketing share das indústrias locais”, explicou.

No mercado

“Hoje o setor de confecção e têxtil goiano representa 5% do mercado nacional e tem um potencial grande de crescimento. O mercado é significativo para a economia brasileira, representa 1,5 milhão, atrás apenas do setor de alimentos e bebidas.”

“Goiás já tem uma representação boa. Somos o segundo maior polo vendedor de moda. Mas não podemos ser apenas vendedores, porque o vendedor compra fora, importa. Nós precisamos ser um grande polo maior produtor. Essa vocação que Goiás já tem, precisamos aproveitar isso e fazer profissionalizar”, comentou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e do Conselho Regional do Senai, Sandro Mabel.

“Vamos trazer especialistas em design até internacionais. Modelagem para que pessoa tenha uma coleção boa e bonita. Fazer uma modificação no parque fabril. Hoje se costura muito com máquinas velhas. Modernizar essas máquinas, Para isso entra o Banco do Brasil e os bancos cooperativos para financiar uma máquina, duas ou três para que possamos produzir cada vez mais roupas de qualidade. Ao fazer isso, nós já temos o preço bom, e se produzirmos com uma qualidade boa e marcas nossas só iremos crescer mais esse mercado. O custo de um trabalho de uma costureira é muito barato. Você pode criar em regiões de depressão econômica, como o Nordeste goiano, podemos jogar mais dinheiro lá, treinar o pessoal e sair mais moda de lá”, disse.

“Pretendemos ser um dos primeiros em nível nacional e, quem sabe, da América Latina. Já somos o segundo maior distribuidor de vendas em varejo, que é essa região da 44, só perdemos para o Brás, em São Paulo. Mas em termos de produção, nós perdemos espaço ao longo dos anos, por falta de divulgação, por falta de empenho dos governos, o seguimento tem crescido só e por vontade própria. Tem sobrevivido, tem crescido bastante e representa muito para a empregabilidade do Estado de Goiás”, disse José Divino Arruda, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário no Estado de Goiás (Sinvest).

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