CEI da Educação: Condir aponta irregularidades no repasse de merenda escolar pela SME

Presidente do Conselho de Diretores das Escolas Municipais e CMEIs de Goiânia (Condir), Diego Monteiro, enfatiza a necessidade de um debate prévio sobre os assuntos relativos ao ambiente escolar

Secretário Municipal de Educação, Marcelo Ferreira, e prefeito de Goiânia, Iris Rezende |Foto: Reprodução

A Comissão Especial de Investigação (CEI) da Educação da Câmara Municipal de Goiânia realizou a oitiva, nesta segunda-feira, 1, do presidente do Conselho de Diretores das Escolas Municipais e CMEIs de Goiânia (Condir), Diego Monteiro. O profissional, que também é diretor da Escola Municipal Dona Rosa Martins Perim, relatou as principais dificuldades apontadas pelos gestores das unidades de ensino do município, entre elas, a questão da falta de repasse de alimentos para merenda escolar.

“Antes a secretaria enviava alguns gêneros alimentícios, e os recursos do PAF (Sistema de Merenda Escolar) eram utilizado para complementos. Mas, dos três repasses anuais, apenas um foi feito até agora. Isso afeta, principalmente, as unidades de tempo integral”.

De acordo com ele, o PAF acabou virando moeda universal para a compra de itens como carne e leite, por exemplo, que oneram muito as compras. “Alguns diretores relatam que o caminhão entregou apenas bolacha para a escola”. Segundo ele, muitas escolas não forneceram lanche nas últimas semanas.

“Existe ma fiscalização do cardápio, e realmente precisa existir essa fiscalização para aumentar a eficiência no uso dos recursos, mas eles têm sido repassados em atraso, e sequer assinamos o plano para aplicação do segundo repasse”, pontuou Diego. Segundo ele, o próximo repasse deve ser concretizado em agosto e muitas escolas irão passar ainda mais dificuldades até lá. Ele citou o caso das escolas de tempo integral que servem cinco refeições diárias e encontram, hoje, grandes dificuldades em seguir o cardápio.

Diálogo

A falta de diálogo com a Secretaria Municipal de Educação (SME) também é apontada como um problema para os profissionais da educação. “A reclamação geral é a falta de abertura e diálogo, às vezes somos pegos de surpresa e não temos tempo hábil para implementar as ações que chegam via ofício ou portaria”, explicou Diego, ao enfatizar a necessidade de um debate prévio sobre os assuntos relativos ao ambiente escolar.

“Às vezes a impressão que fica para alguns diretores, que já quiseram até mesmo entregar os seus cargos, é de que sua idoneidade foi colocada em xeque, e essas pessoas se desdobram para cumprir suas funções da melhor maneira possível.”

Foto: Reprodução

Déficit

O presidente do Condir também falou sobre a questão do déficit de profissionais na rede municipal de ensino. Ele criticou o fato de o profissional que está matriculado, mas fora da sala por algum motivo, não ser contabilizado dentro do déficit. “Para nós, instituição, isso é um déficit”, defendeu Diego, ao citar o caso de sua escola que está com seis profissionais afastados.

“O déficit nos CMEIs é grande e motivo de preocupação, falta funcionários e os que restam ficam sobrecarregados e acabam adoecendo. Na minha escola, tenho seis profissionais de licença médica”, explicou o diretor. Ele enfatizou que essa é a realidade da educação em Goiânia, principalmente nos CMEIs .

Ele também criticou a redução de profissionais administrativos nas unidades de ensino. “Fizeram um cálculo novo que diminuiu o numero de servidores administrativos e, sinceramente, não entendemos isso ainda”. Para o profissional, que teve o número de servidores reduzidos em sua escola, “é de se admirar o que os guerreiros da educação fazem para conseguirem desempenhar suas tarefas após essa redução de pessoal”.

Salas Modulares

Sobre o posicionamento do Condir à respeito das salas modulares, Diego apontou a questão dos preços, já que o custo aproximado de uma sala modular é de R$ 89 mil. Ele explicou alguns diretores falam que o valor poderia ser empregado na construção de salas de alvenaria, mais duráveis.

“Sou leigo, mas estamos fazendo estudos para ver se essa escolha foi a mais adequada. Estamos tentando compreender melhor essa questão financeira até porque faço parte de uma comissão que terá que dar o aval aos gastos da educação para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE)”.  Outro ponto abordado na oitiva foi o custo de manutenção do ar-condicionado dessas salas.

Salas Modulares | Foto: Reprodução

Modulação

Em relação à modulação na educação municipal, o Condir defende que o diálogo é o caminho para o consenso. “Ainda existes pessoas que estão moduladas em outras instituições por falta de vagas. Esse é um ponto que lamentamos, pois poderíamos ajudar a encontrar soluções que não aptropelassem direitos de pessoas”. 

De acordo com o presidente do Condir, existe a promessa de que com a retomada da discussão sobre a modulação, que acabou sendo suspensa, a classe seja convidada  a participar dos debates sobre o tema.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação (SME) e aguarda o posicionamento para a atualização desta matéria. 

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