CEI da Educação: Condir aponta irregularidades no repasse de merenda escolar pela SME
01 julho 2019 às 12h44

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Presidente do Conselho de Diretores das Escolas Municipais e CMEIs de Goiânia (Condir), Diego Monteiro, enfatiza a necessidade de um debate prévio sobre os assuntos relativos ao ambiente escolar

A Comissão Especial de Investigação (CEI) da Educação da Câmara Municipal de Goiânia realizou a oitiva, nesta segunda-feira, 1, do presidente do Conselho de Diretores das Escolas Municipais e CMEIs de Goiânia (Condir), Diego Monteiro. O profissional, que também é diretor da Escola Municipal Dona Rosa Martins Perim, relatou as principais dificuldades apontadas pelos gestores das unidades de ensino do município, entre elas, a questão da falta de repasse de alimentos para merenda escolar.
“Antes a secretaria enviava alguns gêneros alimentícios, e os recursos do PAF (Sistema de Merenda Escolar) eram utilizado para complementos. Mas, dos três repasses anuais, apenas um foi feito até agora. Isso afeta, principalmente, as unidades de tempo integral”.
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De acordo com ele, o PAF acabou virando moeda universal para a compra de itens como carne e leite, por exemplo, que oneram muito as compras. “Alguns diretores relatam que o caminhão entregou apenas bolacha para a escola”. Segundo ele, muitas escolas não forneceram lanche nas últimas semanas.
“Existe ma fiscalização do cardápio, e realmente precisa existir essa fiscalização para aumentar a eficiência no uso dos recursos, mas eles têm sido repassados em atraso, e sequer assinamos o plano para aplicação do segundo repasse”, pontuou Diego. Segundo ele, o próximo repasse deve ser concretizado em agosto e muitas escolas irão passar ainda mais dificuldades até lá. Ele citou o caso das escolas de tempo integral que servem cinco refeições diárias e encontram, hoje, grandes dificuldades em seguir o cardápio.
Diálogo
A falta de diálogo com a Secretaria Municipal de Educação (SME) também é apontada como um problema para os profissionais da educação. “A reclamação geral é a falta de abertura e diálogo, às vezes somos pegos de surpresa e não temos tempo hábil para implementar as ações que chegam via ofício ou portaria”, explicou Diego, ao enfatizar a necessidade de um debate prévio sobre os assuntos relativos ao ambiente escolar.
“Às vezes a impressão que fica para alguns diretores, que já quiseram até mesmo entregar os seus cargos, é de que sua idoneidade foi colocada em xeque, e essas pessoas se desdobram para cumprir suas funções da melhor maneira possível.”

Déficit
O presidente do Condir também falou sobre a questão do déficit de profissionais na rede municipal de ensino. Ele criticou o fato de o profissional que está matriculado, mas fora da sala por algum motivo, não ser contabilizado dentro do déficit. “Para nós, instituição, isso é um déficit”, defendeu Diego, ao citar o caso de sua escola que está com seis profissionais afastados.
“O déficit nos CMEIs é grande e motivo de preocupação, falta funcionários e os que restam ficam sobrecarregados e acabam adoecendo. Na minha escola, tenho seis profissionais de licença médica”, explicou o diretor. Ele enfatizou que essa é a realidade da educação em Goiânia, principalmente nos CMEIs .
Ele também criticou a redução de profissionais administrativos nas unidades de ensino. “Fizeram um cálculo novo que diminuiu o numero de servidores administrativos e, sinceramente, não entendemos isso ainda”. Para o profissional, que teve o número de servidores reduzidos em sua escola, “é de se admirar o que os guerreiros da educação fazem para conseguirem desempenhar suas tarefas após essa redução de pessoal”.
Salas Modulares
Sobre o posicionamento do Condir à respeito das salas modulares, Diego apontou a questão dos preços, já que o custo aproximado de uma sala modular é de R$ 89 mil. Ele explicou alguns diretores falam que o valor poderia ser empregado na construção de salas de alvenaria, mais duráveis.
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“Sou leigo, mas estamos fazendo estudos para ver se essa escolha foi a mais adequada. Estamos tentando compreender melhor essa questão financeira até porque faço parte de uma comissão que terá que dar o aval aos gastos da educação para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE)”. Outro ponto abordado na oitiva foi o custo de manutenção do ar-condicionado dessas salas.

Modulação
Em relação à modulação na educação municipal, o Condir defende que o diálogo é o caminho para o consenso. “Ainda existes pessoas que estão moduladas em outras instituições por falta de vagas. Esse é um ponto que lamentamos, pois poderíamos ajudar a encontrar soluções que não aptropelassem direitos de pessoas”.
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De acordo com o presidente do Condir, existe a promessa de que com a retomada da discussão sobre a modulação, que acabou sendo suspensa, a classe seja convidada a participar dos debates sobre o tema.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação (SME) e aguarda o posicionamento para a atualização desta matéria.