CAU diz que escalonamento de horário não melhora trânsito

“Essa lei não tem estudo e não faz parte de um plano de mobilidade, até porque a cidade não tem”, diz sobre a previsão de rodízio de abertura e fechamento do comércio no projeto que atualiza o Plano Diretor

Foto: Divulgação

O escalonamento de horários no comércio da Capital, com o intuito de melhorar o trânsito, está previsto como possibilidade na minuta do projeto de lei que atualiza o Plano Diretor, da cidade. Porém, Fernanda Mendonça, conselheira do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO), vê a situação de rodízio de abertura e fechamento com ceticismo.

Ela observa, inicialmente, que Goiânia não possui um plano de mobilidade. “Primeiramente, para melhorar o trânsito é preciso ter um plano de mobilidade. Uma consultoria fez cerca de 10%, mas o trabalho foi cancelado, no ano passado. Para retomar, deverá recomeçar e fazer todo o processo licitatório”.

Inclusive, acerca de “solução” ela afirma que só com transporte coletivo de qualidade e diminuição dos carros – isso, se as pessoas quiserem fazer a migração. Desta forma, a perspectiva futura seria de melhoria e não de solucionar a situação.

“E não temos nenhum case de sucesso no mundo sobre o escalonamento de horário. Não sabemos nem medir o quanto pode melhorar”, diz ela ao lembrar que este escalonamento é sempre discutido como paliativo.

Variáveis

A conselheira aponta, também, algumas variáveis. Ela observa que, se as aulas começam às 7h e o pai ou mãe trabalham às 8h, com a mudança de horário do comércio para as 9h, esses responsáveis não retornarão à suas casas para depois irem novamente para a labuta, o que não deve solucionar o problema.

Fernanda lembra que a última pesquisa de origem e destino da cidade foi feita em 2000 e que esta só tem validade de dez anos. Ou seja, “essa lei não tem estudo e não faz parte de um plano de mobilidade, até porque, a cidade não tem. Não temos noção dos movimentos da cidade”.

Movimentos diários

Desta forma, ela avalia que é necessária uma leitura mais ampla, de como as pessoas se deslocam, além de discutir com o setor, que é o comércio, de como será feito. “As pessoas moldam suas vidas de acordo com o seus horários”, afirma.

Ela exemplifica com o jovem que estuda a noite e trabalha de 8h as 18h. “Ele terá que acordar a saída às 18h, de qualquer forma. Não é só acordo com o lojista. É também com o funcionário”, pontua.

Já existe

Ademais, ela observa que, de certo modo, já existe um escalonamento. “Pico escolar é de 7h as 7h30, comércio às 8h, shoppings e bancos às 10h”.

Para ela, modificar o cenário atual gera muitas inseguranças que podem ou não dar certo. “É um tiro no escuro para ver se acerta em um alvo complexo. É uma equação com tantas variáveis, sendo que várias não funcionam em forma de escalonamento”, finaliza sem otimismo.

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Andre Luiz

aplicativos como waze e google maps mostram diariamente os gargalos da cidade, mas os “especialistas” do governo gostam de inventar a roda e promover experiências urbanas, como a tal zona 40 no centro da cidade, onde uma viela e uma avenida tem a mesma velocidade de tráfego.