Casos de câncer de próstata tendem a subir devido baixa procura na pandemia

Especialista exalta mês dedicado aos cuidados com a saúde do homem e faz alerta para aumento de diagnósticos graves

Dr. Marco Túlio Cruvinel alerta para cuidados na saúde do homem. | Foto: divulgação

O Ministério da Saúde divulgou que as cirurgias para retirada da próstata por causa de câncer reduziram 21,5% na pandemia. Os dados foram registrados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), que comparou os números de 2019 e 2020. As consultas caíram 33,5% e a internação de pacientes diagnosticados pela doença teve queda de 15,7%.

A baixa procura foi vista pelo Dr. Marco Túlio Alves Cruvinel em seu consultório. “No pós-pandemia, vamos ter de operar muitos mais casos e graves. A pandemia trouxe o medo da doença aguda, que foi a Covid-19, e isso refletiu nas consultas e nos diagnósticos. Às vezes, o paciente vinha na consulta, eu pedia biopsia e ele deixava de fazer por medo da Covid. Até pacientes que foram operados ou que foram diagnosticados deixaram de ir (ao médico) por medo do coronavírus”, narrou o urologista do Hospital do Rim.

A SBU estima que, neste ano, 65 mil homens devem ser diagnosticados com o câncer de próstata. Segundo o médico especialista, o diagnóstico da doença é feito pelo exame de sangue chamado de PSA (Antígenos Prostático Específico) e o toque. Se a suspeita permanecer, a biópsia deve ser realizada para confirmar a doença. “O diagnóstico definitivo é feito com a biopsia, um exame mais invasivo”, pontuou o Dr. Marco Túlio Cruvinel.

A coleta do exame PSA e da biópsia tiveram queda de 27% e 21% respectivamente na pandemia.

De acordo com o urologista, sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata é o mais incidente entre os homens no Brasil. “A recomendação é de todos os homens acima de 50 anos comecem a fazer esses exames. Se houver algum caso na família, em parente de primeiro grau, é indicado começar a partir dos 45 anos”, disse o especialista.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), um em cada seis homens desenvolverá este tipo de câncer durante a vida. No entanto, se descoberto no começo, a chance de cura é alta. “Na fase inicial, a pessoa tem 90% de chance de ser curada após a cirurgia. Às vezes pode haver tratamento com radioterapia. Quimioterapia é bem raro, só em casos graves”, argumentou o urologista.

No entanto, uma pesquisa realizada pela revista Saúde e pelo Instituto Lado a Lado pela Vida mostrou que 59% dos homens entrevistados não costumam ir ao urologista. “Culturalmente, os brasileiros, os homens em geral, não se preocupam com a saúde”, lamentou o Dr. Marco Túlio Cruvinel.

SUS

Segundo o médico urologista, o SUS segue a orientação da SBU. No entanto a dificuldade é conseguir a consulta com o especialista. “É um rastreamento de custo muito baixo. O PSA é exame de sangue de rotina e o toque faz dentro do consultório. O problema do paciente que necessita do SUS é conseguir consulta com especialista na rede pública”, pontuou Dr. Marco Túlio Cruvinel.

Outras doenças

A campanha do Novembro Azul, antigamente voltada exclusivamente para a prevenção do câncer de próstata, hoje, busca estimular os cuidados na saúde do homem. O urologista apontou outros problemas que podem surgir. “Diminuição da libido, estresse emocional. A pandemia mexeu com o psicológico de todo mundo”, disse Dr. Marco Túlio Cruvinel, que recomenda os exames rotineiros.

Além disso, é preciso averiguar os hormônios. Segundo o médico, alteração hormonal deve ser observada por especialistas. “Temos o que se chamava antigamente de andropausa. O mais correto é chamar de DAEM (Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino), que é alteração hormonal pela diminuição da testosterona. Isso influencia na saúde como um todo, física e mental. Pode gerar obesidade, diabetes, hipertensão”, explicou o urologista.

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