Casal gay é demitido de empresa em Goiânia após oficializar união

Homens alegam que sofriam preconceito diariamente no local de trabalho e que foram desligados após oficializarem casamento; empresa não se manifestou

Daniemerson e Geferson se casaram no último dia 5/11 | Foto: Reprodução / Facebook

Daniemerson e Geferson se casaram no último dia 5/11 | Foto: Reprodução / Facebook

Dois homens foram demitidos da empresa em que trabalhavam na última semana em Goiânia. De acordo com o casal, eles foram desligados após oficializarem a união, por preconceito.

Daniemerson Brito da Silva e Geferson Ribeiro da Silva se casaram em Goiânia no último dia 5/11. O casamento foi registrado no Cartório Antônio do Prado e, no dia da cerimônia, foi feita uma comemoração à noite. Os dois, que trabalhavam na mesma empresa (WB Componentes), avisaram ao gerente do setor que haviam se casado, e foram apresentar a certidão de casamento na segunda-feira (7/11).

Ao chegarem lá foi perguntado se eles não estariam de licença. “O encarregado perguntou ‘as bonecas não estão em lua de mel?’ e acabamos tirando a licença, de três dias. Na quinta-feira [11] fomos trabalhar e então foi dito que a gente teria dois dias de falta e que a empresa teria sido prejudicada. Fomos desligados da empresa”, contou Daniemerson.

Geferson trabalhava há pouco mais de dois anos na WB Componentes e Daniemerson também começou a trabalhar lá por indicação do namorado. Já fazia onze meses que ele desempenhava o cargo de auxiliar de estoque e convivia com “brincadeiras” no ambiente de trabalho.

Segundo o jovem, comentários do tipo que escutou do chefe ao apresentar a certidão de casamento eram comuns. O preconceito vinha em forma de piadas e brincadeiras. “Quando chegava um novo colaborador na empresa, ele apresentava falando ‘cuidado que aqui na empresa tem homem que pega homem'”, disse à reportagem.

O marido, Geferson, afirmou que esses comentários já existiam há muito tempo, mas que o preconceito foi intensificado depois que Daniemerson passou a trabalhar na empresa. Os dois conviviam diariamente com chacotas.

Daniemerson explicou que chegou a procurar o RH da empresa, mas nenhuma atitude foi tomada. “Uma vez falamos que se os comentários não parassem, íamos à delegacia registrar uma ocorrência”. Nessa ocasião o preconceito cessou por alguns dias, disse, mas logo voltou. “O encarregado do setor ficou emburrado, mas — se muito — em 15 dias todas as piadinhas voltaram”.

Geferson chegou, inclusive, a pensar em pedir demissão. Entretanto, os dois precisavam do dinheiro. Essa é uma das principais preocupações do casal. Ambos estão sem emprego e, por causa do casamento, estão com várias dívidas, explicou Daniemerson. Agora, os dois estão à procura de trabalho na capital. Na sexta-feira (17), eles se reunirão com a empresa, mas ainda não sabem do que se trata a reunião.

A reportagem entrou em contato com a WB Componentes, porém foi informada que a empresa já estava fechada e só falaria do assunto na sexta-feira pela manhã.

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Magali delgadinho

Processo neles preconceito e crime pegue um bom advogado e peguem seus direitos opção sexual e da pessoa a partir do momento que vc é responsável no seu serviço patrão não pode opinar nisso como ainda pode ter pessoas assim

Ageu Faria Mendes

a maioria das empresas não contratam parentes e casais, e quando ocorre o casamento entre funcionarios acaba por demitir um dos pares, porque com casais homos deveria ser diferentes?!

Rafa

Se você soubesse ler, verificaria primeiro que ambos foram demitidos! ” fomos desligados da empresa”. Penso que está no plural.

F.R.A

Caro Ageu, Observe que o que está em jogo é o fato de a empresa não reconhecer a união deles e ter demitido ambos como se tivessem faltado injustificadamente. É como se vc se casasse com sua esposa (digamos que ela ainda não seja sua esposa) e a empresa lança como falta os dias em que, por direito garantido pelo art. 473 da CLT, você se ausentou. Se a justiça reconheceu a união civil, quem é a empresa ou o gestor pra questionar? Independentemente de opção sexual, os dois tinham direito sim a se ausentar pelo período de três dias… Leia mais

Marcus

Independente disso, houve homofobia, pois os dois foram demitidos e não apenas um. Várias vezes na matéria é citado o fato de que os rapazes conviviam com chacotas e piadas inoportunas. Se isso para você não for preconceito, então eu não sei mais o que isso significa. Um bom processo trabalhista neles aliados a outro por injúria fará essa empresa pensar duas vezes antes de tentar misturar o pessoal de seus funcionários com o profissional.

Welton Trindade

Absurdo, absurdo! Mas a luta pela cidadania e pela igualdade, feita por heróis como eles, não acabará! Pelo contrário, só cresce! Não desistiremos de nossa luta pela razão: essa luta é pela nossa vida!

lucas

Fico triste ,quando me pego lendo esse tipo de noticia , pois sou gay . Isso e um absurdo , nada aver esse tipo de situação , eles estao na empresa para trabalhar e nao para receber piadinha nas costa. Processo neles .