Com a proximidade do Carnaval 2026, a indústria brasileira projeta novo crescimento no faturamento, na esteira dos mais de R$ 5,7 bilhões movimentados em 2025, segundo dados da Riotur. Entre os setores mais aquecidos está o ramo têxtil, de calçados e acessórios, especialmente voltado à moda leve, esportiva e temática, que estima expansão de 5% neste ano.

De acordo com a Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro, a expectativa é que a Marquês de Sapucaí receba cerca de 8 milhões de foliões entre ensaios técnicos, desfiles e blocos oficiais. A projeção indica ainda um aumento de quase 18% no número de turistas na cidade durante o período carnavalesco, o que tende a impactar diretamente o comércio e a indústria ligados à festa.

Levantamento do Sebrae aponta que o Carnaval segue como uma das principais oportunidades do ano para micro e pequenos empreendedores, sobretudo no setor têxtil. Entre as tendências destacadas estão roupas com franjas, peças metalizadas, tecidos como lamê e tramas brilhosas, além de acessórios e adereços chamativos. A entidade também observa crescimento na procura por personalização de abadás, bem como oportunidades para quem atua nos segmentos de moda praia e fitness, com itens como croppeds, bodys e tops.

As projeções dialogam com estimativas da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT), que prevê crescimento de 1,1% para o setor em 2026. Dentro desse cenário, o Carnaval aparece como um dos fatores que sustentam a expansão, mesmo diante da pressão do mercado externo sobre a indústria nacional.

Para o coordenador de marketing da Gráfica FuturalM, Victor Nakamura, o momento é favorável para empresas que apostam em moda e acessórios voltados ao Carnaval. Segundo ele, materiais antes vistos como simples, como abadás e coletes, passaram a ganhar relevância com a ampliação do uso em eventos e festas ao longo do ano.

“O mercado mudou. Hoje existe uma demanda constante por produtos personalizados, inclusive em pequenas tiragens, o que tornou o investimento no ramo têxtil não apenas viável, mas necessário”, afirma.

Com mais de duas décadas de atuação no setor gráfico, Nakamura destaca que o comportamento do consumidor também se transformou. “As pessoas querem participar do processo criativo. A busca por itens personalizáveis e de baixa tiragem cresceu, e isso ampliou as possibilidades de atendimento ao varejo e ajudou a movimentar o faturamento no período do Carnaval”, completa.

Especialistas avaliam que acompanhar as tendências de consumo e investir em tecnologia, personalização e eficiência produtiva pode ser decisivo para a indústria manter crescimento não apenas durante a folia, mas ao longo de todo o ano.

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