Agora bolsonarista, Zezé Di Camargo já esteve ao lado de Lula e Aécio em campanhas presidenciais

As celebridades da família voltam à cena política este ano, agora em apoio à eleição do irmão Wellington Camargo (PSDB), que tentar voltar à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Segundo ele disse o Jornal Opção, os irmãos devem estar presentes na corrida eleitoral. A volta de Wellington à disputa eleitoral dá continuidade a uma história política que cerca a família Camargo. O próprio ex-deputado tem uma jornada política que já incluiu a participação em sete siglas diferentes. Além do PSDB, ao qual retornou, já fez parte de PSC, MDB, PT, PTB, Cidadania e Republicanos. As tentativas de eleição também vão além das corridas pelo cargo em Goiás. Wellington chegou a ser candidato novamente em 2010, quando pleiteou uma cadeira na Câmara dos Deputados, e 2020, quando buscou o cargo de vereador, em São Paulo. Em 2022, além dele, a família Camargo também terá Glauce Rodrigues de Godoi Camargo (PSDB) na corrida eleitoral da Alego. Ela é casada com o empresário Emanoel Camargo, também irmão da dupla sertaneja.

É a primeira vez que dois membros da família disputam o pleito ao mesmo tempo, mas não a primeira vez que outro Camargo além de Wellington está na política. Isso, porque em 2005, a dupla Cleiton e Camargo chegou ao fim depois que Cleiton – que, na verdade, se chama Luciano – anunciou que deixaria a carreira musical para se dedicar à política. “Sempre tive esse sonho de fazer política. Na verdade, eu meio que caí na música de gaiato. Acho que chegou minha hora e, por isso, decidi mudar meu rumo. Eu ia me candidatar para as próximas eleições, mas acho melhor esperar e aprender mais”, declarou, na época. Na ocasião, Cleiton confirmou que ira filiar-se ao então PMDB para ser assessor parlamentar do prefeito de Goiânia, Iris Rezende. Ele acabou não seguindo carreira política e formou outra dupla, até que foi convidado a fazer vocal de apoio para Zezé e Luciano, entre abril de 2009 e agosto de 2013, quando voltou para a parceria com Camargo.

Apesar de fora da atuação direta na carreira política, Zezé Di Camargo tem participação na área. Na campanha de 2002, ele e o irmão fizeram parte do time de celebridades que apoiavam a candidatura de Lula. A dupla chegou a liderar showmícios em todo o país. Na tentativa de reeleição do presidente, em 2006, Zezé garantiu que votaria em Lula novamente, mas Luciano apontou decepção com o governo, não confirmando o apoio. Em 2010, no entanto, a situação se inverteu e Zezé decidiu ficar em cima do muro enquanto Luciano declarou ser “Dilma até morrer”. Nas eleições seguintes, Luciano voltou a mostrar indecisão e Zezé garantiu apoio à campanha de Aécio Neves.

Zezé e Luciano voltaram a se entender politicamente a partir das eleições de 2018, quando ambos anunciaram apoio a Jair Bolsonaro. Luciano, que chegou a declarar que fazia “parte da mudança deste país para melhor”, ao apoiar Lula, voltou atrás e mostrou arrependimento. “No passado, eu acreditei. Fomos com a ideologia e infelizmente todos nós demos com os burros n’água”, declarou, garantindo voto em Bolsonaro no pleito de 2018. O irmão, que defende que o posicionamento de artistas é necessário, chegou a reforçar o apoio ao atual presidente, mesmo após decepções com a gestão, além de explicar a transição da caminhada petista para a bolsonarista.

“Tomei uma posição, na época da eleição a favor do Bolsonaro, porque eu não concordava com as coisas que estavam acontecendo no Brasil nos últimos anos, com os últimos governos… A gente apoia acreditando que vai ser melhor para o Brasil e aí depois a gente tem uma surpresa desagradável”, ponderou. O apoio ao presidente Bolsonro, porém, trouxe dificuldades para o cantor. Em 2021, Zezé Di Camargo foi deixado de lado por sertanejos e produtores que iriam participar de um documentário sobre sua vida, para a Netflix. Na época, artistas próximos a Zezé teriam se distanciado do programa para evitar um possível cancelamento do público por proximidade ao cantor bolsonarista. Apesar das dificuldades de bastidores, a produção É o Amor: Família Camargo estreou no catálogo do serviço de streaming em 9 de dezembro.

Outras celebridades da família Camargo procuram manter mais distância do mundo político. Wanessa Camargo, filha de Zezé, declarou em 2018 que prefere não emitir opiniões políticas e que se arrepende profundamente de ter se envolvido em apoio a candidatos. “Se eu coloco é: ‘Vamos votar direito’, agora, discutir a política do que é certo ou errado, defender opinião de esquerda, direita, centro, não. Apoiar candidatos também não”, disse. Em 2014, Wanessa esteve ao lado do grupo de artistas que declarou apoio ao candidato à presidência Aécio Neves, inclusive aparecendo em no programa político dele na TV. Em 2017, ela voltou a defender o peessedebista diante da ligações do nome de Aécio com casos de corrupção investigados pela Operação Lava Jato.

A atriz Luciele Di Camargo, irmã de Zezé e Luciano, também tenta se manter distante da política. Entre as manifestações públicas recentes, ela fez uma reflexão sobre a situação da pandemia de Covid-19, afirmando que “políticos brasileiros são uma vergonha”. Segundo ela, compartilhamento com o irmão Cleiton Camargo, não viu “nessa pandemia pobres roubando mercados por fome, mas viu políticos roubando pobre por gula.”