Candidatos derrotados nas urnas precisam buscar alternativas à falta de mandato eletivo

Políticos que não foram escolhidos pelos eleitores para serem seus representantes tendem a viver a dificuldade de encontrar novo caminho até as votações em 2020 e 2022

Derrotados nas urnas, políticos que tiveram expectativas eleitorais frustradas terão de repensar seus planos nos próximos anos | Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Quando a apuração das 13.995 urnas em Goiás foi concluída, por volta de 22h30 de domingo (7/10), candidatos que cumprem seus mandatos até o final do ano, e outros já sem cargos eletivos desde o dia 7 de abril, que não foram escolhidos pelos goianos para ocupar outras funções eletivas por mais quatro ou oito anos passaram à posição desconfortável de ter de se reinventar politicamente nos próximos dois ou quatro anos, quando podem ou não voltar à disputa em 2020 e 2022.

A base aliada do governador José Eliton (PSDB) talvez seja quem tenha saído mais enfraquecida da votação de domingo. No Senado, passou de duas cadeiras eleitas em 2010 para nenhuma em 2018. Na Câmara, viu sua força ser reduzida de 14 deputados federais conquistados em 2014 para quatro parlamentares: Francisco Jr. (PSD), Lucas Vergílio (Solidariedade), Magda Mofatto (PR) e Célio Silveira (PSDB).

Além da saída de nomes fortes do grupo eleitoral tucano, como PRB, PP e PDT, o PSDB viu nomes como o presidente estadual do partido, o deputado Giuseppe Vecci, Fábio Sousa (PSDB), Jovair Arantes (PTB), Marcos Abrão (PPS), Roberto Balestra (PP) e Sandes Júnior (PP), que em 2014 se tornou suplente, mas assumiu a vaga de Thiago Peixoto (PSD).

O governador José Eliton, que teve uma votação muito abaixo da esperada por ele e seus aliados, viu sua dificuldade eleitoral em toda campanha ser agravada pela operação Cash Delivery, que investiga a suspeita de pagamento de propinas pela Odebrecht no total de R$ 12 milhões nas candidaturas de Marconi Perillo (PSDB) em 2010 e 2014 ao governo. Advogado eleitoral, o caminho natural para José Eliton ao final do mandato à frente do Executivo estadual é voltar à sua atividade profissional.

O ex-governador Marconi, que também sentiu o efeito eleitoral da operação do Ministério Público Federal (MPF), continuará sem mandato e precisa reorganizar sua base de apoio para não virar um líder esquecido por seus apoiadores depois de 20 anos de vitórias eleitorais desde 1998. O caminho de Lúcia Vânia, que terá de deixar o Senado em fevereiro de 2019, também é preocupante. Resta ainda à senadora a presidência estadual do PSB. Mas sem cargo eletivo, pode haver tentativas no partido de tomar o poder de Lúcia.

O mesmo pode acontecer com o sobrinho da senadora, o deputado Marcos Abrão. Presidente estadual do PPS, não consegui se reeleger e viu o deputado estadual Virmondes Cruvinel se manter na Assembleia por mais quatro anos. É provável que haja uma migração de importância e de poder no PPS para as mãos de Virmondes com o enfraquecimento de Lúcia Vânia à frente do PSB. Mas não é certo.

PSD
Thiago Peixoto, que desistiu de disputar a reeleição à Câmara, pode voltar a estudar nos Estados Unidos e se afastar por mais tempo da política. E não é descartada a possibilidade que abandone de vez o caminho das disputas eleitorais pelo PSD. O partido, que é liderado por Vilmar Rocha, candidato a suplente de Marconi, tem agora como eleitos Francisco Jr. para a cadeira de Thiago e Lucas Calil, que permanece na Assembleia.

Sandes Júnior mais uma vez não conseguiu se eleger deputado federal. E desta vez está ligado ao grupo de Daniel Vilela (MDB), que também foi derrotado para governador e não terá mandato a partir de 2019. Os dois vivem situação complicada. Enquanto Sandes deve se dedicar à atividade de radialista, o filho de Maguito Vilela (MDB) corre o risco de ver o grupo do prefeito Iris Rezende (MDB) tomar a presidência do partido na próxima disputa interna.

O não crescimento de Daniel e José Eliton na corrida ao governo foi ruim para os dois. Mas, no caso de Daniel, que completa 45 anos no final de outubro, pode voltar na eleição para a Prefeitura de Goiânia. Isso se Iris abrir o caminho. O candidato a vice de Daniel, Heuler Cruvinel (PP), verá seu mandato de deputado federal acabar e deve voltar seu foco às bases eleitorais em Rio Verde nos próximos anos.

Roberto Balestra, eleito oito vezes seguidas e há 31 anos na Câmara, viverá o ineditismo de ficar sem mandato desde 1987. Aos 74 anos, Balestra deixará de ser um político eleito a partir de fevereiro de 2019 e brigou com o partido para se manter no apoio ao grupo de Marconi, que saiu derrotado das eleições de domingo. Um retorno à sua base, que é Inhumas, não será difícil.

Jovair Arantes (PTB) também está em uma situação delicada. A sua situação só não ficou mais difícil porque o filho se reelegeu deputado estadual. Henrique Arantes (PTB) permanece na Assembleia por mais quatro anos. Perderá o foro privilegiado, mas deve continuar a atuar como dirigente no Atlético Goianiense. No caso de Fábio Sousa, que é pastor na igreja Fonte da Vida, deixará de atuar com parlamentar e voltará suas atenções aos fiéis e os ensinamentos divinos.

Saem fortalecidos
Dos que não disputaram as eleições e não saíram derrotados está Alexandre Baldy, deputado licenciado e ministro das Cidades. Depois de se filiar ao PP e assumir a presidência do partido no Estado, Baldy elegeu dois candidatos que disputaram vaga na Câmara: Professor Alcides e Alexandre do Baldy. Tem prestígio no Congresso e tende a ser um político goiano a ser fortalecer nos bastidores.

O deputado Pedro Chaves (MDB), que por uma questão de necessidade partidária se tornou primeiro suplente de Vanderlan Cardoso (PP) como senador, deixa a política, mas pode assumir o cargo em casos de licença do dono da vaga conquistada nas urnas ontem.

Dos candidatos a governador em 2018, a professora Kátia Maria (PT), presidente do partido em Goiás, entrou na disputa sem qualquer pretensão e foi bem. Para quem não tinha outra intenção, apesar de oficialmente não assumida, além de fazer palanque para o presidenciável Fernando Haddad (PT) no Estado, receber 271.807 votos, 9,16% da votação válida, foi uma grande conquista.

Na sua gestão de Kátia à frente do Partido dos Trabalhadores, a difícil reeleição de Rubens Otoni no cargo de deputado federal se consolidou e a legenda ainda conquistou duas cadeiras na Assembleia, com mais quatro anos de mandato da delegada Adriana Accorsi e a chegada de Antônio Gomide, ex-prefeito de Anápolis, ao Legislativo goiano.

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