Candidatos a vice-prefeito falam sobre secretariado, plano de governo e expectativa de atuação

O Jornal Opção conversou com Wilder Morais e Rogério Cruz para entender o que o eleitor goianiense pode esperar do próximo vice-prefeito da Capital

Wilder Morais e Rogério Cruz | Fotos: Reprodução

Às vésperas da eleição que vai definir quem vai governar Goiânia pelos próximos quatro anos, a disputa segue marcada por troca de acusações e questionamentos sobre a atuação do candidato à vice na chapa de Maguito Vilela, Rogério Cruz (Republicanos), na campanha.

O protagonismo do presidente estadual do MDB e filho de Maguito, Daniel Vilela, é classificado pelo grupo de Vanderlan Cardoso como uma tentativa de apagar Rogério. Já os emedebistas condenam os ataques dos adversários e apontam que o questionamento a respeito do estado de saúde de Maguito, que luta para se recuperar de complicações da Covid-19, além de desrespeitoso trata-se de uma tentativa desesperada de confundir o eleitor.

O vice-prefeito deve estar preparado para assumir o Executivo em situações temporárias ou até de forma definitiva em caso de vacância, caso o prefeito sofra alguma sanção, saia para disputar outro cargo ou situações envolvendo saúde. Diante desse cenário, o Jornal Opção fez perguntas aos dois postulantes ao cargo de vice-prefeito, Wilder Morais (PSC), que é vice de Vanderlan, e Rogério Cruz (Republicanos), o vice de Maguito.

A escolha do secretariado é um dos primeiros e mais importantes passos da administração. Pretende participar da escolha, tem uma área de maior interesse e/ou atuação?

Wilder Morais – Tenho experiência na área, fui coordenador da transição do governo estadual, então eu participei da escolha de secretários. Conheço todas as áreas do governo, das secretarias, das autarquias, acompanhei diretamente as escolhas do governador Ronaldo Caiado e todas foram realizadas com base em um Plano de Governo. E fico feliz pelo resultado, pois hoje somos primeiro lugar no IDEB, primeiro lugar na segurança pública, primeiro lugar no crescimento da indústria e muito bem colocado na geração de empregos. Como foi feito com o governador Ronaldo Caiado, pretendo fazer igual na Prefeitura com Vanderlan Cardoso: antes da campanha, tive oportunidade de estudar todas as áreas. Estudei um pouco de tudo. Eu e Vanderlan temos estilos parecidos. Então, quando mandei os projetos, enviei minhas propostas utilizadas na pré-campanha. E discutimos cada ponto e ele aceitou de pronto. 

Rogério Cruz – A eleição é no próximo domingo, dia 29. Até lá, falamos apenas de campanha e das propostas de gestão da nossa coligação. É este nosso foco. Uma das características que eu e nosso candidato a prefeito, Maguito Vilela, temos em comum, é humildade e pés no chão. Não será diferente agora.  

Tem algum projeto de sua autoria ou proposta específica que pretende desenvolver durante a administração?

Wilder Morais – Tenho os polos de desenvolvimento que foram definidos em sete regiões macroeconômicas. Acredito muito nesta proposta para desenvolver Goiânia. Tenho facilidade em atuar para atrair indústrias, empresas e teremos parcerias do Estado, com incentivos fiscais que já estão, inclusive, agendados. Outro projeto: a requalificação do Centro, com a construção do maior shopping aberto do País. Vamos requalificar todo ordenamento urbano da região da 44 para receber comitivas do Brasil inteiro, criando áreas de estacionamento, com praça de alimentação, creche. São mais de 25 mil pontos de vendas localizados no Centro, Feira Hippie e 44. Tem que ter atenção especial: nossa missão é fazer de Goiânia a capital número um da moda. Dentro destes projetos, temos ainda a requalificação das avenidas 85 e Bernardo Sayão, propostas que fiz em pré-campanha. Outra proposta específica que debati é a “Cidade da Música”, pois acredito que Goiânia tem vocação para grandes eventos como o Villa Mix, Festeja, Buteco do Gusttavo Lima, Deu Praia, Festa ÓSCAR, Festa 800, Goiânia Noise, eventos gospel e outros. E vamos criar todas oportunidades: a “Cidade da Música” vai receber gastronomia, esportes, arte, cultura, tudo isso estará lá dentro. Teremos um mix completo de todas as atividades econômicas do município.

Rogério Cruz – Quando a gente entra em um projeto como este, nós nos tornamos parte de um grupo, liderado pelo candidato a prefeito. Nossas propostas são fruto de uma construção conjunta, sempre guiada por Maguito. Nosso plano de gestão é baseado em três eixos fundamentais: desenvolvimento econômico, cuidar das pessoas e avançar nos serviços públicos oferecidos à população. Dentro desses eixos, temos projetos como o de trazer indústrias limpas e de base tecnológica para nossa cidade, o que pode gerar muitos empregos e renda. Que é algo semelhante ao que Maguito promoveu em Aparecida de Goiânia, com muito êxito. Temos também o propósito de promover um avanço muito grande na área social, preparando a gestão para cuidar das pessoas no cenário pós-pandemia, que tende a ser complicado para uma parcela da população. Queremos também aprofundar o avanço tecnológico da gestão, com iniciativas como o prontuário eletrônico na saúde, que vai ser um passo decisivo para melhorar a qualidade e agilidade dos serviços nesta área. Além disto, temos o compromisso de concluir as obras que porventura a atual gestão não conseguiu terminar, por causa do atraso gerado pela pandemia.

Como vê o debate a respeito do Plano Diretor? É favorável à expansão urbana? Tem alguma proposta específica para o setor imobiliário?

Wilder Morais – O debate do Plano Diretor tem que ficar para o futuro gestor e a nova Câmara Municipal. Sou favorável à expansão com a ocupação dos vazios urbanos, locais que serão aproveitados para implantação de indústrias das mais variadas atividades. Nesses espaços serão desenvolvidos os polos de desenvolvimento e a “Cidade da Música”, dentre outras propostas. Precisamos adensar as áreas ociosas no centro urbano. Gostaria, sobretudo, de debater desenvolvimento e não “onde vai fazer prédio”, como tanto se debate quando se fala em Plano Diretor, que é bem mais amplo do que isso. Precisamos qualificar a cidade de acordo com a vocação econômica, sem esquecer dos esportes, cultura, lazer. Quando falo da “Cidade da Música” estou pensando no bem público e de certa forma também na iniciativa privada, que será chamada a participar de forma ativa. Todo o debate dos polos de desenvolvimento industriais está ligado ao setor produtivo. Da mesma forma, o segmento imobiliário está presente na revitalização do Centro, da requalificação da 44, já que é essencial para o desenvolvimento da nossa Capital.

Rogério Cruz – Sou a favor de aguardar a próxima gestão e a próxima legislatura tomarem posse para retomar essa discussão. Os candidatos a prefeito naturalmente têm projetos para a cidade e pode ser necessário adequações no Plano Diretor para que esses projetos sejam colocados em prática. No caso da nossa campanha, temos a visão de que é preciso atrair mais empresas, inclusive com a criação de polos industriais. O Maguito é um entusiasta desse projeto, que ele implantou em Aparecida com muito sucesso e fez o número de CNPJs ativos no município saltar de 6,4 mil para cerca de 32 mil em oito anos. Mas para isto será necessário fazer adequações no Plano Diretor e contar, claro, com o aval da Câmara. Então acho mais prudente que, diante do momento eleitoral, essa discussão do Plano Diretor seja retomada a partir do próximo ano.

Caso precise assumir o mandato, seguirá o plano de governo à risca?

Wilder Morais – Sim, fiz parte do grupo que criou o Plano de Governo e debati item por item com Vanderlan. E concordo com todos os pontos. Fiz campanha, andei a cidade e divulguei o plano. Modéstia à parte, conheço o plano e a cidade, a renda per capita, o desenvolvimento humano, mecanismos para poder desenvolver cada região. Não tenho dificuldade nenhuma nesta discussão: quando Vanderlan não podia ir a algum debate ou sabatina, eu estava presente e tratava do mesmo plano.

Rogério Cruz – Nosso candidato a prefeito é Maguito Vilela e, se Deus permitir nosso sucesso nas urnas no próximo domingo, ele vai tomar posse e estará pronto para fazer uma grande gestão, seguindo os eixos do plano de governo. E eu serei um companheiro de primeira hora ao lado de Maguito nesse projeto para dar continuidade a uma gestão que está transformando Goiânia.

Como pensa que Goiânia deve enfrentar o déficit de vagas nos Cmeis? E para a área da saúde? Como atender essas demandas diante da escassez de recursos?

Wilder Morais – A questão da demanda dos Cmeis é a mais grave da gestão municipal – não só de Goiânia, mas de qualquer metrópole. É preciso ouvir gestores da área e tentar solucionar o déficit com a busca de recursos no Governo Federal – e sei fazer muito bem isso, pois a imprensa reconheceu nosso trabalho como senador que mais trouxe recursos para Goiás. Outra ação imediata é retomar as obras paradas de Cmeis e começar novas. Para isso, precisamos regionalizar e buscar terrenos e locais que possam ser as novas unidades.  Em nosso plano de governo, quanto à saúde, o foco é a prevenção com a implantação de 100% do Programa de Saúde da Família, em todas as regiões. Penso que é possível buscar também recursos extras em Brasília, com bom diálogo junto aos ministros e presidente. E isso, eu e Vanderlan, temos com o atual gestor do país. Sei como montar processos, identificar projetos, justificar e principalmente defender.  Terminei meu mandato de senador sem ter uma única cidade de Goiás que não recebeu recursos que consegui em Brasília.

Rogério Cruz – A solução é construir e ampliar os Cmeis, não há outro caminho. Goiânia tem uma rede muito qualificada de ensino infantil, mas é fato que a cidade cresce e a demanda sempre aumenta. E temos que oferecer profissionais qualificados e espaços adequados para atender protocolos de segurança sanitária enquanto não tivermos uma vacina efetiva e um alto índice de imunização contra a Covid-19. Na área da saúde, a proposta do candidato Maguito Vilela é construir um hospital municipal, como fez em Aparecida de Goiânia, além dos centros de especialidades. Além disto, vamos implantar prontuário eletrônico em toda rede municipal de saúde, o que vai permitir inclusive economia de recursos, ao proporcionar diagnósticos e tratamentos mais assertivos. O prontuário eletrônico também ajuda a reduzir a realização de exames desnecessários e acaba com a peregrinação do cidadão pelas unidades, pois com o histórico médico em mãos, ele pode ser orientado de forma mais adequada e os médicos podem acompanhar com mais facilidade a evolução dos tratamentos.

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