Candidato de Pontalina afirma ter recebido proposta de instituto que fraudava pesquisas

Candidato a prefeito do PSC, Mack, afirma ter recebido proposta de R$ 6 mil para publicação de pesquisa. Ao não aceitar teve seu nome colocado em último. MP investiga a empresa suspeita de fraudar pesquisas em todo o estado

O candidato a prefeito de Pontalina, Mack (PSC), afirma que recebeu uma proposta de Márcio Rogério Pereira Gomes, dono do instituto IPOP-Cidades & Negócios, investigado pelo Ministério Público por produção e divulgação de pesquisas eleitorais fraudadas em 191 municípios goianos. Ao não aceitar pagar o valor exigido, teria sido colocado em último lugar na pesquisa de intenção de votos divulgada pela empresa.

Segundo Mack, a oferta foi feita ainda em maio para pagar R$ 6 mil por uma pesquisa em que ele apareceria com 21,3% das intenções de voto. Ao Jornal Opção, o candidato detalhou que o primeiro contato foi feito pelo WhatsApp, quando Márcio apresentou sua revista Cidades & Negócios (veja a transcrição de parte do áudio abaixo).

O candidato afirma que o empresário perguntou se podia marcar uma visita a ele. O encontro aconteceu na casa de Mack. “Ele me passou o resultado e a rejeição e eu falei que iria avaliar a proposta”, revela.

Neste primeiro momento, a pesquisa apresentada seria a verdadeira e apontava Mack em terceiro lugar, empatado tecnicamente com o segundo colocado nas intenções de voto no município, Jurandir Augusto (Cidadania).

“Quando não aceitei pagar o valor, ele pegou meu nome, que estava com 21%, e jogou para 11%, tirando 10 pontos percentuais. Ele alterou o resultado da pesquisa por que não paguei e me jogou para último. Isso me prejudicou, pois perdi o apoio de três lideranças fortes”, afirma o candidato.

Suspeita

Mack ainda diz que repassou a Márcio Rogério, a pedido do próprio empresário, telefones dos outros três candidatos a prefeito de Pontalina, Dr. Péricles (DEM), Jurandir Augusto (Cidadania) e Edson Guimarães (MDB). Ele diz suspeitar que alguém tenha pago pela pesquisa.

O candidato afirma ainda que após a denúncia, o IPOP divulgou nova pesquisa que apontava 19% de intenções de voto a ele. “Se olhar dentro da margem de erro, estou com 25%. Fiz a denúncia e me calei, pois ele não tem nada a perder. Eu estou começando minha vida política agora”, reforça.

O Ministério Público de Pontalina investiga se houve e quem teria feito pagamento para manipulação da pesquisa realizada pelo IPOP e divulgada em jornal e redes sociais.

Áudio

A reportagem teve acesso a trecho do áudio em que Márcio Rogério apresenta ao candidato Mack a pesquisa realizada na cidade. Leia o áudio transcrito.

“Nessa pesquisa o Edson Guimaraes tá 29,4%, o Jurandir 23,1%, você com 21,3%, vocês estão praticamente empatados aqui. O Péricles tem 13,2%. Indecisos 13%.

Na rejeição o Edson tem 18,5% de rejeição, que é aquilo que te falei, uma boa parte do Jurandir rejeita ele também, então boa parte desses votos vem pra você. Você tá com 16,1% e o Péricles tem 15,3%. 21,4% não quis se manifestar.

Isso significa que se você somar os 13% de indecisos e os 21% que não se manifestaram contra ninguém, temos ai 33% que ainda estão indefinidos. É um número alto ainda e é aí que está a eleição. É nesses indecisos, nos telefones e endereços deles, naquele esquema que te falei da gente ir te indicando as pessoas pra você ir, é onde você vai visitar de forma diferente. Você ganhar eles aí e falar sobre o que é a preocupação deles… os outros [candidatos] não sabem que eles estão indecisos. Você visitando a pessoa já sabendo da situação é mais fácil de você conseguir”.

Investigação

O Ministério Público cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em Goiânia e Aparecida de Goiânia, na manhã desta quinta-feira, nas residências de Márcio Rogério Pereira Gomes, dono do instituto IPOP-Cidades & Negócios, da estatística Karen Cristina e na sede da empresa.

As investigações mostram que houve fraudes em pesquisas de intenção de votos realizadas. O instituto teria realizado 349 pesquisas em 191 municípios sem, no entanto, registrar receitas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo apontou o promotor Douglas Chegury, responsável pelo caso, as pesquisas eram realizadas com dados fraudados, sem documentação necessária, além de não registrar que eram os reais contratantes.

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