Um documentário sobre problemas gerados pelo procedimento está gerando preocupação entre pacientes e desconforto entre dentistas

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Nenhum canal dentário é bem sucedido em sua totalidade: essa é a afirmação feita em A Raiz do Problema, novo documentário da Netflix. O longa metragem expõe durante mais de uma hora, diversos relatos de dentistas que repudiam o procedimento. Eles afirmam categoricamente que em longo prazo o canal irá afetar todo o organismo do paciente.

Já não bastasse temer o momento de sentar na cadeira de um consultório odontológico para realizar algum procedimento, agora quem confere A Raiz do Problema começou a se preocupar com o depois do comparecimento. Aqueles que por ventura já possui um canal dentário tá com preocupação dobrada. Só no Estados Unidos são 25 milhões de procedimento por ano.

O documentário está causando polêmica entre odontólogos. Já entre os espectadores que não são da área, o pânico ao assistir a produção é quase inevitável. Entretanto é preciso ter cautela, e é por isso que o Jornal Opção preparou uma análise em diálogo com especialistas do setor.

O documentário

A partir da trama sobre um homem que busca descobrir as causas de suas doenças, como fadiga crônica e síndrome do pânico, o documentário começa com dados alarmantes. Uma das fontes do doc é a Dra Dawn Ewing, PhD em Odontologia Biológica pela Universidade do Texas. É a dentista que começa citando pontos polêmicos sobre o procedimento.

“E se eu te disser que 98% da mulheres que tem câncer de mama fizeram canal do mesmo lado em que o câncer apareceu? E se eu te disser que o melhor método de prevenção cardiovascular, chamado Bale & Doneen, não aprovam o tratamentos de canal por causa das bactérias?”, provoca a pesquisadora.

Após essas perguntas feitas pela Dra Dawn, o que o espectador pode esperar é mais uma enxurrada de apontamentos que relacionam diversos problemas de saúde com o procedimento de canal dentário.

Outro dentista do documentário que compactua com a tese, é o Dr Joseph Mercola. “Dentistas tradicionais acreditam que não há problemas com os canais, mas eu discordo. Acho que eles são uma fonte escondida e inesgotáveis de toxinas”, afirma.

Todos os problemas citados pelos especialistas atribuem à impossibilidade de se esterilizar todos túbulos dentinários presentes em um único dente, essas regiões são incalculáveis e armazenam bactérias enquanto o dente não for extraído.

Há quem discorde

O Jornal Opção escutou dentistas goianos e perguntou a eles suas opiniões sobre o conteúdo do longa metragem. Os odontólogos foram unanimes em discordar dos pontos apresentados por A Raiz do Problema.

Para o dentista Kleber Vinicius, os apontamentos do documentário são “extremistas e sensacionalistas”. O profissional diz que como em qualquer área da saúde, os dentistas também estão sujeitos ao insucesso, mas que o respeito aos protocolos estabelecidos por meio de pesquisas, buscam a garantia da boa realização do procedimento.

Em relação a danos futuros, Dr. Kleber afirma que nunca viu nada na literatura que falasse sobre os problemas citados em A Raiz do Problema, e se diz surpreso com o conteúdo. “A associação do documentário que liga o procedimento de canal com alguns tipos de câncer é pouco embasada. Eles não citam fatos científicos suficientes que comprovem os apontamentos”, afirma.

Quem também discorda do documentário é a dentista Lísia Máximo, que está se especializando em endodontia, área da odontologia que estuda o procedimento de canal. Lísia conta que não conseguiu terminar de assistir o documentário, porque segundo ela o conteúdo chega ao nível do “absurdo”.

“O procedimento já foi muito estudado, existem diversas correntes de estudos mundiais. São evidencias cientificas geradas durante décadas que comprovam que a realização do canal não gera problemas futuros. Desde que o trabalho seja feito respeitando os protocolos e os tipos de medicações recomendadas.”, afirma a Dra. Lísia. 

E nessa discussão entre especialistas, fica difícil definir quem está certo ou não. Certamente o assunto ainda irá render muita pesquisa. De qualquer forma, pelo menos por enquanto, não cabe alarde entre os milhões de pacientes que se submetem ao procedimento todos os anos.