Caminhada lembra quatro anos do assassinato do jornalista Valério Luiz

Cronista esportivo foi assassinado na porta da Rádio Bandeirantes 820 a tiros no dia 5 de julho de 2012, mas caso aguarda análise de recursos no Superior Tribunal de Justiça

Filho postou foto na tarde desta segunda (4/7) na qual estava com o pai no Estádio Serra Dourada, em Goiânia | Foto: Reprodução/Facebook

Filho postou foto na tarde desta segunda (4/7) na qual estava com o pai no Estádio Serra Dourada, em Goiânia | Foto: Reprodução/Facebook

Nesta terça-feira (5/7), a morte do jornalista e cronista esportivo Valério Luiz, assassinado na porta da Rádio Bandeirantes 820 no dia 5 de julho de 2012, completa quatro anos. Familiares e amigos do cronista farão uma caminhada em lembrança ao caso para pedir justiça. A concentração será às 8 horas no coreto da Praça Cívica.

O roteiro da caminhada inclui volta na Praça Cívica nesta terça-feira, que depois seguirá para o Bosque dos Buritis e a Avenida Assis Chateaubriand até a Praça Tamandaré, com retorno para a Praça Cívica. “Nosso compromisso é o de conseguir justiça”, explicou o filho de Valério Luiz, Valério Luiz Filho.

Apesar de não ter sido criado um evento nas redes sociais ou um convite público, Valério Filho disse que quem quiser participar da caminhada está convidado. Ao contrário do ano passado, quando houve uma audiência pública depois da caminhada, promovida pelo pai de Valério Luiz, o deputado estadual Manoel de Oliveira (PSDB), o Mané de Oliveira, desta vez o familiares e amigos lembrarão do caso apenas com o percurso a partir da Praça Cívica.

O processo segue em análise de recursos da defesa apresentados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Brasília (DF). “Eles fizeram tudo para atrasar o julgamento do caso, mas o ministro Felix Fischer negou todos os pedidos da defesa. Agora eles entraram com um agravo regimental junto ao STJ. No âmbito estadual não tem muito a ser feito. Esperamos que os ministros julguem o quanto antes esses recursos para que seja marcado o júri.”

O ministro Felix Fischer, do STJ, é também relator dos processos criminais na Corte ligados à Operação Lava Jato. Como a decisão de Fischer é monocrática, a defesa dos acusados do homicídio de Valério Luiz entraram com pedido de agravo regimental para que todos os ministros do Superior Tribunal de Justiça analisem os recursos apresentados pelos advogados.

De acordo com Valério Luiz Filho, assim que o pleno do STJ analisar o agravo, o caso deve seguir para o Supremo Tribunal Federal (STF), caso a defesa dos acusados apresente novos recursos depois de uma decisão contrária dos ministros do Superior Tribunal de Justiça.

Marcação do júri

Para marcar a data do Tribunal do Júri em Goiás, Valério Filho explicou que isso já seria possível, mas poderia criar um constrangimento com uma possível anulação durante o andamento da análise pela Corte.

Mesmo com a demora de quatro anos para julgar o assassinato do pai, ele afirmou que, para o prazo habitual da Justiça brasileira em analisar um processo, ainda está no tempo normal. “É um caso que envolve uma investigação que foi muito complexa, com duração de oito meses. Tivemos alguns percalços que felizmente foram superados”, disse Valério Filho.

O filho do jornalista assassinado disse ao Jornal Opção que acredita na condenação dos cinco acusados do crime, entre eles o presidente do Clube Atlético Goianiense, Maurício Sampaio. “A depender da consistência das provas, eu não tenho dúvida de que eles devem ser condenados pelo júri quando o julgamento acontecer”, pontuou.

Na tarde desta segunda-feira, o filho de Valério Luiz comentou os quatro anos da morte do pai no Facebook:

Amanhã, 05 de julho, completam-se 4 anos desde o assassinato do meu pai, o jornalista Valério Luiz de Oliveira. As investigações terminaram em fevereiro de 2013, concluindo que o crime se deu por causa de críticas à diretoria do Atlético Clube Goianiense, em especial ao então Vice-Presidente e atual Presidente, Maurício Borges Sampaio. Maurício e mais quatro (o PM Ademá Figuerêdo, o PM Djalma da Silva, o faz-tudo Urbano Malta e o açougueiro Marcos Vinícius) acabaram denunciados pelo homicídio.

Percebo que o tempo decorrido desde então cria nas pessoas a falsa impressão de que o crime não se desvendou ainda. Se desvendou, sim. Toda a demora a partir de fevereiro de 2013 advém dos trâmites do processo no Judiciário, já que todas as oportunidades de defesa estão sendo dadas aos réus. Atualmente, estão mandados a Júri pelas duas instâncias do Tribunal goiano e recorrem a Brasília. Acompanho pessoalmente os recursos no STJ e no STF, pro Júri ser marcado o quanto antes.

Nunca pensei passar pelo que passei, e no dia da tragédia não tinha dimensão do impacto que teria sobre minha vida. Isso tanto pela perda quanto pelas enormes resistências contra nossa busca por justiça. A raiz do poder é ter aliados, e os assassinos tinham vários, que foram sistematicamente acionados à medida que avançávamos. Tivemos que enfrentar advogados, policiais, juízes, um delegado e até profissionais da imprensa. Aos poucos vi como o mal se infiltra no Estado e na sociedade organizada.

Essa luta fez com que nos organizássemos e buscássemos nossas armas. Muitas vitórias vieram, e não só pra minha família. Nossa militância contribuiu para que 4 casos não solucionados aqui no âmbito estadual fossem federalizados pelo STJ (IDC-3); para que a assistência às vítimas de violência enfim começasse a entrar nos debates públicos; para que o CNJ aposentasse um juiz ímprobo e fizesse o Tribunal finalizar o concurso pra cartórios, substituindo todos os interinos de Goiânia por concursados.

Amanhã faremos, como nos últimos 3 anos, uma caminhada pelo centro, em memória do ocorrido, em memória do meu pai, e em memória do nosso lado na luta: a liberdade de expressão e a vida. Não ficarei sentado esperando autoritários espalharem seus tentáculos pelo Estado que deveria me proteger. Jamais apoiarei a opressão, seja dos que matam de cara limpa ou dos que usam a farda, a toga ou a carteira pra isso. E tenho muito orgulho do pouco que conseguimos fazer até agora.‪#‎JustiçaporValério‬!

Valério Luiz Filho

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