Câmara de Goiânia cria Frente Intermunicipal pelo Fim da Violência Política de Gênero

Frente é lançada no dia em que são completados quatro anos que a vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, foi assassinada a tiros, em 2018

Foi lançada, na manhã desta segunda-feira, 14, a Frente Intermunicipal pelo Fim da Violência Política de Gênero, na Câmara Municipal de Goiânia. De forma simbólica, a frente foi lançada após a violência sofrida pela vereadora de Aparecida de Goiânia, Camila Rosa (PSD), que foi silenciada pela Presidência da Casa. Além disso, hoje são completados quatro anos que a vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, foi assassinada a tiros, em 2018.

A Frente Intermunicipal pelo Fim da Violência Política de Gênero é encabeçada pela vereadora Aava Santiago (PSDB), que, inclusive, presidiu a sessão plenária em que o presidente da Câmara de Aparecida, André Fortaleza, esteve em Goiânia para justificar sua ação contra Rosa. Na ocasião, Fortaleza declarou não ter cometido nenhum crime, afirmou não existir machismo na Casa Legislativa do município vizinho a Goiânia e também opinou que “mulheres só não estão na política porque não querem”.

Ao discursar, Aava confrontou a afirmação de André Fortaleza. “Isso é uma forma de violência política de gênero muito comum”, disse. Na política, a vereadora reforçou o tanto que é difícil se fazer ouvida e o tanto que é fácil ser intimidada. Aava relembrou quando ameaçaram seu filho de morte por ela defender suas ideias e citou tantas outras mulheres na política que sofreram a mesma ameaça.

“A loucura das mulheres também é um projeto político. Porque se somos tidas como loucas, quem vai embarcar nos nossos projetos?”, afirmou Aava ao comentar que já ouviu de colegas de partidos que as mulheres não conseguem controlar seus hormônios, nem o peso de seus corpos e que, por isso, não tinham competência para governar.

A vereadora também enumerou as diversidades que uma mulher enfrenta no mercado de trabalho. Ela cita o fato de inúmeras mães serem demitidas ou quando engravidam ou durante sua licença à maternidade e que é espero da mulher que ela seja apena a companheira paciente e amorosa de seus maridos. Também citou as formas de assédio que muitas vezes acometem as mulheres no ambiente profissional.

Por fim, ela lembrou que a primeira sessão da Frente Intermunicipal pelo Fim da Violência Política de Gênero foi lançada hoje, por ser lembrado os quatros anos da morte de Marille Franco. Como Aava disse, Marielle foi uma mulher que tinha apenas como arma sua voz no palanque. Infelizmente foi silenciada, fruto da violência de gênero.

Durante a sessão especial de lançamento da frente foi assinada uma carta-manifesto entre prefeitas, deputadas, vereadoras, defensoras públicas e outras profissionais de todo o Estado. O objetivo é o de conscientizar a população sobre a opressão que as mulheres enfrentam quando ocupam ou buscam ocupar cargos públicos.

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