Caiado vai a Brasília em busca de celeridade na tramitação de lei para renegociação de dívidas

Cristiane Schmidt aponta que, sem aprovação de lei pelo Congresso, dívida contraída no passado é impagável e dispara: “nós não queremos deixar uma herança maldita”

Fotos: Lívia Barbosa/ Jornal Opção

A secretária de Economia, Cristiane Schmidt, falou nesta quarta-feira, 28, sobre os esforços da gestão Ronaldo Caiado em resolver a questão relativa ao pagamento das dívidas com bancos oficiais após o fim prorrogação feita pelo STF, que vai até 31 de dezembro deste ano. “Estamos tomando todas as medidas para não termos uma surpresa desagradável”, pontuou.

“Nossas liminares caem no dia 31 de dezembro, se não dermos uma solução para janeiro vamos ter problema sim com pagamento de servidor e pagamento de contas que temos”, afirmou a titular da Economia, ao frisar que dinheiro não nasce da grama. Segundo Schmidt, apesar de todo os esforços, o Estado não consegue diminuir despesa de uma hora para outra como acontece no setor privado.

De acordo com a secretária, a divida externa foi quitada na semana passada com uma engenharia financeira que resultou em uma vantagem para o Estado de R$55 milhões. No entanto, existe um empréstimo que foi tomado em 2013 e tem saldo devedor atual de R$ 3 bi, que tem tirado o sono da gestora e do governador. “Não consigo renegociar porque o Estado tem Capag C”, explicou Cristiane.

A classificação que não permite um novo endividamento pelo Estado por representar risco de crédito para o Tesouro Nacional.

Luz no fim do túnel

Segundo a secretária, Goiás tem articulado uma emenda no projeto de Lei do deputado federal cearense Mauro Benevides Filho (PDT) para que, mesmo não entrando no RRF (Regime de Recuperação Fiscal), o Estado consiga fazer uma engenharia financeira para reestruturar essa dívida. “Porque hoje ela é impagável”, resume Schmidt.

Ela detalha que foi contraído R$1,5 bi em 2013 com aditivação em 2015, e hoje está em R$3 bi, mesmo pagando juros e amortizações. “Ela termina em 2033, imagina o valor dessa dívida em 2033. Quem é que vai conseguir pagar? Eu tenho pena do governador que estiver aqui em 2033”, disparou a secretária.

“Como somos uma administração responsável, nós pensamos nos futuros governadores também. Nós não queremos deixar uma herança maldita e estamos tentando resolver o problema, mas não é simples. Acho que não vamos ter tempo para entrar no RRF”, revelou Cristiane.

Ela aponta ainda que por conta de o projeto do Mauro Benevides alterar varias lei e envolver muitas questões, acredita que vai suscitar um debate intenso no Congresso, que pode se estender por meses. “Será que ele vai ser aprovado ate dezembro? E mesmo sendo aprovado, será que eu consigo negociar minha entrada no RRF até lá?”, indagou.

“Em janeiro, a probabilidade de eu estar no RRF é mínima. O que fazer com essa dívida que vai vencer e não vai ter mais liminar?”, encerrou a titular da Economia.

Governador vai a Brasília em busca de soluções

Preocupado com o tema, o governador Ronaldo Caiado (DEM) cumpre agenda em Brasília nesta quarta. Ele busca sensibilizar membros do Congresso sobre a necessidade de celeridade na tramitação da lei que ode tirar Goiás do sufoco. “Esse é um processo que vai se arrastar mas que esperamos que não ultrapasse dois meses. Pois estamos diante de uma liminar que não será mais renovada”, defendeu.

“Se isso não ocorrer, vários estados da federação serão duramente penalizados com retenção do FPE [Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal], além da obrigatoriedade de pagar todo o valor atrasado que, em Goiás, são dívidas absurdas”, explicou Caiado, ao citar que só na antiga Agetop as cifras giram em torno de 1,5 bilhão em dólar. “E essa dívida não foi ‘redeada’, ou seja não foi feito seguro”, acrescentou.

“Outros empréstimos também foram feitos e hoje o cidadão goiano, por irresponsabilidade praticadas, pagam mais de R$210 milhões por mês de juros de parcelas. Isso mostra o quanto o governo está asfixiado e precisa dessa renegociação. Mas esperamos conseguir renegociar até o Natal para conseguir manter os nossos compromissos”, encerrou Caiado.

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