Brasileiros já parcelam até o almoço; mais de 1,3 milhão de pedidos no iFood ligam alerta sobre endividamento
01 agosto 2026 às 12h57

COMPARTILHAR
Parcelar uma televisão, um celular ou uma passagem aérea já faz parte da rotina dos brasileiros. Agora, o parcelamento chegou também ao prato de comida. Dados divulgados pelo iFood mostram que mais de 1,3 milhão de pedidos foram pagos de forma parcelada em apenas dois meses, movimento que chama a atenção de especialistas para o aumento da dependência do crédito até mesmo para despesas essenciais.
Segundo a empresa, o número de transações nessa modalidade mais que dobrou em relação ao período anterior, refletindo a rápida adesão dos consumidores à ferramenta.
Embora o iFood apresente o parcelamento como uma alternativa para oferecer maior flexibilidade financeira, o avanço desse tipo de pagamento também evidencia um cenário de perda do poder de compra das famílias brasileiras. Com inflação acumulada em itens básicos e orçamentos cada vez mais apertados, recorrer ao crédito para comprar refeições deixou de ser uma situação excepcional para muitos consumidores.
Na prática, o parcelamento pode ajudar quem enfrenta um aperto momentâneo no orçamento. No entanto, especialistas alertam que a estratégia exige cautela. Dependendo da quantidade de parcelas escolhida, o consumidor pode pagar juros, elevando o custo final de uma refeição que, originalmente, teria um valor muito menor.
O crescimento da modalidade também revela uma mudança no comportamento financeiro dos brasileiros. Se antes o crédito era utilizado principalmente para bens de maior valor, hoje ele passa a ser empregado para cobrir gastos cotidianos, como alimentação, transporte e compras em supermercados.
Esse movimento reforça um sinal de alerta para economistas: quando despesas básicas passam a depender do parcelamento, o risco de comprometimento da renda aumenta e pode contribuir para o ciclo de endividamento das famílias.
Para o iFood, a ferramenta amplia as opções de pagamento disponíveis aos usuários. Já para especialistas em finanças, os números vão além da inovação tecnológica e refletem os desafios enfrentados por milhões de brasileiros para equilibrar as contas no fim do mês.
Leia também:Sem plano de voo e sem matrícula, FAB intercepta avião vindo da Bolívia


