Brasil tem seu primeiro governador assumidamente gay. E ele é do Sul

Revelação do gaúcho Eduardo Leite no programa Conversa com Bial traz outro patamar para a discussão da orientação sexual na política nacional

Desde a madrugada desta terça-feira, 2, o programa Conversa Com Bial e seu entrevistado, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), passam a fazer um risco na história política brasileira.

E não é com nenhuma medida tomada como gestor, mas como ser humano: no bate-papo com Pedro Bial (gravado horas antes), Leite assumiu ser gay, coisa que até então nenhum outro ocupante de cargo público de tal envergadura jamais revelou.

O anúncio do jovem político – tem apenas 36 anos – seria algo tido como desnecessário em países que já caminharam bastante para superar a homofobia, como Canadá, Estados Unidos e os da Comunidade Europeia. Mas, para o Brasil governado por Jair Bolsonaro (sem partido) e que vê o fundamentalismo religioso cada vez mais presente como agente influenciador da política, é algo que pode ser classificado ao mesmo tempo como surpreendente, corajoso e necessário.

Ainda mais porque o gaúcho é também pré-candidato à Presidência. Ao programa, ele declarou:

“Eu sou gay e sou um governador gay. Não sou um gay governador, tanto quanto Obama nos Estados Unidos não foi um negro presidente. Foi um presidente negro. E tenho orgulho disso.”

Eduardo Leite vinha sendo alvo de boatos, ironias e críticas nas redes sociais – especialmente atacado por (adivinhem) bolsonaristas – e, com a revelação, decidiu encerrar as especulações. “Como ser humano que sou, também tive as minhas inseguranças, o meu questionamento, mas foi um processo, para mim, de aceitação, de entendimento”, disse.

Em um trecho do Conversa Com Bial antecipado no perfil do programa no Instagram do programa, Leite afirma que não precisa manter segredo sobre sua orientação sexual:

O governador do Rio Grande do Sul é nascido em Pelotas, onde foi vereador e prefeito e apareceu anos atrás como uma grande revelação da política gaúcha. 

O fato de dizer o que disse, em rede nacional e ocupando o cargo que ocupa, mesmo vindo de um Estado que tem a exaltação da masculinidade como uma questão cultural, só mostra que ele realmente não está na política a passeio. 

O que virá a partir de agora não se sabe. Terá ganhos políticos ou perdas eleitorais? É uma incógnita. Ou melhor, com vistas a 2022, a declaração dele é um all-in, quando alguém bota todas as fichas no jogo e paga para ver. Veremos.

O que é certo é que, neste início de julho de 2021, Eduardo Leite prestou um grande serviço a todos aqueles que são desrespeitados por sua orientação sexual ou que, temendo por isso, ainda estão aprisionados por essa opressão. É, sim, um momento histórico.

 

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